Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 18 de Julho de 2019

Internacional

Ursula von der Leyen promete ser mais dura com a Hungria

Expresso - Portugal
Foto: Divulgação / Assessoria aajpg.jpg

A presidente indigitada da Comissão Europeia disse esta quarta-feira, no Parlamento Europeu (PE) que o futuro executivo comunitário vai ser mais duro em relação às violações do Estado de Direito em países como a Hungria ou a Polónia.
Ursula von der Leyen falava na reunião com os eurodeputados do grupo Renew Europe (Renovar a Europa, liberal), no âmbito da operação de charme junto das famílias políticas que vão votar a sua nomeação na próxima terça-feira, 16 de julho. A escolhida dos 28 terá de obter o apoio da maioria do PE, isto é, 376 sufrágios a favor. Ora, surgem vozes críticas de todo o espectro político quanto ao processo de nomeçação “à porta fechada” de Ursula von der Leyen, que também é ministra da Defesa da Alemanha.
Questionada pela eurodeputada húngara Katalin Cseh — uma das sete vice-presidentes do Renew Europe e fundadora do partido centrista Momentum — sobre as sucessivas práticas antidemocráticas do Governo de Viktor Órban, como o desmantelamento da Academia das Ciências na semana passada, Von der Leyen foi pouco assertiva.
A indigitada salientou que a União Europeia “tem os meios para garantir os valores fundamentais”. “Tenho a certeza de que podemos usar essas ferramentas”, afirmou Von der Leyen, acrescentando que há ter em mente os acórdãos do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).
EM SCHENGEN NÃO CABEM FRONTEIRAS
A resposta “redonda” não agradou à eurodeputada holandesa Sophie in’t Veld, que instou a alemã a responder sim ou não “se a nova Comissão vai ser mais dura” em relação às violações do Estado de Direito e se vai usar o TJUE para fazê-las cumprir?. “Sim, sim às suas duas perguntas”, foi a resposta lacónica de Von der Leyen. Hungria e Polónia já são alvo de processos por desrespeito dos valores democráticos consagrados no artigo 7.º do tratado europeu.
Quando questionada sobre o que vai fazer em relação à recente ameaça do Governo croata de erguer um muro na fronteira para travar o avanço dos refugiados, Von der Leyen disse ser uma defensora acérrima da liberdade de movimentos. “Fronteiras físicas não são compatíveis com o espírito de Schengen nem tampouco com o da própria União Europeia”, afirmou.
Sobre o futuro desenho e funcionamento da Comissão Europeia, a ainda ministra lembrou várias vezes aos eurodeputdaos liberais há ainda todo um processo a cumprir — que inclui a sua própria confirmação pelo PE — antes de poder adiantar pormenores. O processo influi também na escolha de prioridades e linhas de atuação do futuro executivo comunitário. “Há um puzzle a completar. Quando estiver feito, há que analisar as hipóteses. O resto será para decidir mais tarde”, afirmou. “Neste momento só tenho duas certezas: quero reforçar os poderes da vice-presidência e quero uma Comissão constituída 50% por homens e 50% por mulheres”, salientou.
MAIS ATENÇÃO AO CLIMA
No tocante às metas relativas às alterações climáticas, a presidente indigitada da Comissão Europeia falou na necessidade de criar um conselho de cientistas para aferir e supervisionar os progressos realizados pelos Estados-membros. “Será uma ilusão se não acompanharmos de perto o que está a ser feito”, disse.
Ursula von der Leyen defendeu também na reunião com os eurodeputados liberais que é necessário aprofundar a cooperação europeia em matéria de defesa coletiva, para que a UE seja “mais forte, presente e envolvida com a vizinhança”. “Temos de ter as ferramentas para fazê-lo”, acrescentou.
Em matéria de cibersegurança, Von der Leyen salientou que esta é crucial para combater, por exemplo, a desinformação russa. Neste campo, a política democrata-cristã falou na necssidade de ter um grupo de peritos “treinados em conjunto e com regularidade” para fazer face às ameaças.
HELDER C. MARTINS
 

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