Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 18 de Julho de 2019

Espiritualidade e religião

Um dos santos juninos, São João Batista

Folha da Região
Foto: Divulgação São João Batista

Nesta segunda, dia 24, é comemorado o Dia de São João Batista, um dos santos juninos, ao lado de Santo Antônio e São Pedro. A noite do dia 23, que é véspera do Dia de São João, marca o início da celebração da festa de São João Batista. O Evangelho de Lucas, da Bíblia Sagrada (Lucas 1:36, 56-57) afirma que João nasceu aproximadamente seis meses antes de Jesus, sendo que a festa de São João Batista foi fixada em 24 de junho, seis meses antes da véspera de Natal, 24 de dezembro. Este dia de festa é um dos poucos dias santos em que é comemora o aniversário do nascimento, ao invés da morte, do santo homenageado.

Padre Charles Borg, da Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Araçatuba, explica que São João Batista tem um grande significado na vida de Jesus, além de serem primos. “Ele foi indicado por Deus para acolher Jesus e indicar ele como Messias e salvador para as pessoas, além de ser a pessoa que batizou Jesus. Nas missas, nós sempre usamos uma frase de São João que fala sobre Jesus: ‘Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo'”, destaca.

São João chegou ao Brasil por meio das tradições portuguesas, no descobrimento do país. No nordeste, o santo tem um significado importante para as pessoas, com diversas festas juninas tradicionais e famosas para comemorar a data, algo que já está no calendário nordestino. Segundo o Padre, São João tinha uma personalidade austera, cheias de privações, uma pessoa autodisciplina e severa. “Ele fazia muitos jejuns e penitencias, tinha uma linguagem forte em suas pregações, que deixavam as pessoas com medo até.”

Morte

Ele foi preso por ordem do Rei Herodes Antipas I no sexto mês do ano 26 d.C. Ele foi levado para a fortaleza de Maqueronte, onde foi mantido por dez meses até ao dia de sua morte. O rei, por intermédio de sua filha, chamada de Salomé, conseguiu com que a cabeça de São João Batista fosse entregue numa bandeja de prata. Os discípulos de João trataram do sepultamento do seu corpo e de anunciar a sua morte ao seu primo, Jesus.

História

João nasceu numa pequena aldeia chamada Aim Karim, a cerca de seis quilômetros de Jerusalém. Segundo interpretações do Evangelho de Lucas, era um nazireu de nascimento. Já outros documentos defendem que ele pertencia à facção nazarita de Israel, a qual integrou na puberdade. Era considerado, por muitos, um homem consagrado.

Como era prática ritual entre os judeus, o seu pai, Zacarias, teria procedido à cerimônia da circuncisão, ao oitavo dia de vida do menino. A sua educação foi grandemente influenciada pelas ações religiosas e pela vida no templo, uma vez que o seu pai era um sacerdote e a sua mãe pertencia a uma sociedade chamada “As Filhas de Araão”.

Aos 6 anos de idade, de acordo com a educação sistemática judaica, todos os meninos deveriam começar a aprendizagem “escolar”. Em sua cidade, não existia uma escola, sendo que foram seus pais quem lhe ensinaram a ler e a escrever. Aos 14 anos há uma mudança no ensino. Os meninos, graduados nas escolas da sinagoga, iniciam um novo ciclo na sua educação. Como não existia uma escola em Judá, os seus pais decidiram levar João a Engedi, atual Qumram, com o objetivo de ser iniciado na educação nazarita.

Nesta educação, segundo a tradição, São João devia se abster de bebidas intoxicantes, deixar o cabelo crescer e não tocar nos mortos, sendo que as ações faziam parte do ritual em que eram entregues em frente ao templo de Jerusalém.

Segundo relato bíblico, no livro de Mateus, João também trajava vestes simples, de pelo de camelo, um cinto de couro em torno de seus lombos, sendo que se alimentava de gafanhotos e mel silvestre. O termo “gafanhoto” na Bíblia é referido também como planta de árvore de fruto adocicado comestível, nativa da região mediterrânea, onde vivia o santo católico.

Carolina Marques, estagiária, colaboração

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