Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 22 de Maio de 2019

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Quatro motivos para ingressar na política

Divulgação Ampla Visão, coluna do Manoel Afonso
Ampla Visão, coluna do Manoel Afonso

MOTIVOS:  Pensei, conversei com amigos para abordar esse tema.  Ele começa exatamente com a pergunta: “Quais os motivos que levariam o cidadão a ingressar na política aqui no Brasil?”  Uma pergunta banal a primeira vista mas interessante e que enseja uma abordagem pratica, simples, sem questionamentos sociológicos  e acima de tudo objetiva como gosta meu leitor de muitos anos.Aliás, não há mais tempo para obras literárias no jornalismo atual. Tudo vapt vupt!

VAIDADE: Já disse na edição anterior que ela seria irmã gêmea do poder. Ela está quase sempre presente – mesmo  camuflada às vezes por um falso sentimento de patriotismo ou de amor à causa pública. A vaidade é esperta, consegue se inserir nos mais diferentes contextos. O empresário abastado, mas pouco reconhecido publicamente  na comunidade se sente às vezes tocado pela necessidade de algo mais que o dinheiro no caixa. Outro caso é do profissional reconhecido pela sua capacidade no trabalho e que contaminado pela vaidade resolve abraçar uma candidatura política. Ele não consegue separar as duas coisas.

INDIGNAÇÃO:  Cada vez mais rara esse tipo de motivação, principalmente devido aos escândalos envolvendo administradores públicos e agentes políticos.  Lembra o patriotismo. Ocorre quando há uma situação insustentável  ou grave ameaça de desastre político-administrativo e alguém resolve ingressar na política com a visível intenção de mudanças para melhor. O caso do empresário Antonio Ermírio de Moraes, então presidente do poderoso  Grupo Votorantim que em 1986 filiou-se ao PTB para liderar um movimento contra a candidatura de Orestes Quércia (MDB) ao Governo de São Paulo. Independentemente do resultado das urnas, sua postura caracterizou-se pelo sentimento de indignação face aos desmandos denunciados contra o ex-governador Paulo Maluf e Cia.

OPORTUNISMO: Ocorre sobretudo na política interiorana de todas regiões do imenso Brasil. Onde há um ambiente de descrença que gera desinteresse pela vida pública partidária, abre-se janela de oportunidade para quem apenas estava à espreita do quadro local, sem participação direta, mas sem apresentar desgastes. Às vezes – mesmo sem ter identidade com esse ou aquele grupo político – mas diante das perspectivas que se abrem ele acaba aceitando e até vencendo – mais em função das circunstancias e fatos que lhe favoreçam do que por méritos próprios. Casos de funcionários públicos, dentistas, advogados, médicos, comunicadores, engenheiros e comerciantes principalmente. Como se diz na política: ele estava no lugar certo na hora certa.

PROFISSÃO: O homem é um animal político, mas nem todos conseguem se nivelar por cima. Alguns deles estão dispostos a tudo para conseguir o poder e vão galgando os degraus custe o que custar. Impressionante a garra, a obsessão deles. Tenho visto exemplos deles por aí:  desde cedo conseguem oportunidade de politicar através de maneiras ou mecanismos diversos. É o funcionário com postura diferenciada que atrai a simpatia da clientela, do funcionário público prestativo ou do simples morador que se destaca como bom vizinho para depois se tornar líder do bairro e vereador por exemplo. O Congresso nacional – até a legislatura passada – tinha em seu bojo dezenas de ‘exemplares’ desta espécie que dedicaram toda a vida à política, incorporando-a inclusive a sua própria personalidade. Quando perderam o poder murcharam como as plantas arrancadas do canteiro. Político sem mandato lembra barata tonta.

TUDO AZUL! A figura do vice em cargos executivos em todos os níveis tem gerado  abordagens de todos os tipos na imprensa. A melhor definição seria de que a figura do vice deva ser a mais discreta possível, evitando atritos e desgastes. Posto isso lembro de Adriane Lopes (PEN)- vice prefeita da nossa capital - inicialmente vista como candidata surpresa na chapa de Marcos Trad (PSD) e que até aqui vem tendo comportamento exemplar. Não avança o sinal com atos e nem com palavras. Perspectivas de vida longa na política.

EXAURIDO  O Estado em si como modelo paternalista de gestão exauriu. Todos da sociedade querem de algum modo mamar nas tetas da maquina pública em todos os níveis. O sonho continua aquele: ser ‘empregado do Governo’ para garantir vantagens ao longo da carreira e aposentadoria razoável. Mas como diz o caipira: “não tem mais de onde tirar leite – a teta secou ”. Todo santo dia vejo as reivindicações de funcionários baseadas em leis também paternalistas. É funcionário reivindicando seu quinquênio, de promoção por merecimento, bravura e outras tantas motivações. Outro desafio: acabar com a farra da tal cessão onerosa de funcionários de um poder para outro. Há muita gente fora da função original, como professores fora da sala de aula.

VAI QUEBRAR!  É uma simples afirmação com base nos números da economia local, regional e nacional. Como garantir tantas benesses e generosidades aos funcionários? Quando os legisladores criam leis dando direito aos funcionários, eles estão apenas olhando o lado eleitoral. Querem os votos dos beneficiados. Temos o clássico exemplo do 13º salário instituído demagogicamente lá atrás para agradar o eleitorado.  Agora a máquina pública e nem o pessoal da iniciativa privada  aguentam arcar com mais essa despesa num época de tantos encargos fiscais. Mas se alguém propor a sua extinção será executado em praça pública.

TEMPOS ESTRANHOS Quem ( STF) deveria garantir a liberdade de expressão acaba censurando-a.  Aplausos ao deputado João Henrique (PR) por criticar na tribuna da Assembleia Legislativa a decisão do ministro Alexandre de Morais ( STF) de censurar a reportagem “O amigo de meu pai” publicada na revista Crusoé. Ele lembrou que a liberdade de expressão  é pilar da democracia como mostra a história moderna. A sua iniciativa ganhou o apoio dos seus colegas  Gerson Claro (PP), professor Rinaldo (PSDB) e Pedro Kemp (PT). Enquanto isso, nenhuma palavra da OAB-MS sobre o episódio. “Liberdade...abra as asas sobre nós”.

PERNA QUEBRADA As eleições de 2018 acabaram com o cacife financeiro de muitos partidos que elegeram pouca gente. Muitos deles eram e continuaram sendo nanicos que apenas serviam de arma terceirizada para as siglas maiores. Aliás, a tendência é que com o tempo eles acabem desaparecendo. Deveremos ficar no máximo com 15 partidos; convenhamos já seria de bom tamanho.  Além da clausula de barreira que impedirá o acesso ao rádio e televisão  14 partidos ficarão sem financiamento público em suas campanhas. São eles: Rede, Patriota, PHS, DC, PC do B, PCB, PCO, PMB, PMN, PPL, PRP, PSTU, PTC.

FELIZARDOS Dos 35 partidos, são essas as 21 agremiações que vão ter direito a fatia do bolo de – pasmem! -  R$927.750.560,00 que o glorioso Congresso Nacional tratou de reservar com bastante antecedência.  São eles:  PSL – 12,81%; PT 11,32%; PSDB 6,60%; PSD – 6,43%; PP – 6,12%; PSB – 6,02%; MDB – 6,08; PR – 5,84; PRB – 5,58%; DEM – 5,12%; PDT – 5,08.  Vale recordar que alguns partidos estão se adequando com seus diretórios inclusive. Aqui em Campo Grande temos dois exemplos bem visíveis: do PT com problemas de caixa e o MDB que dispensou inclusive vários funcionários diante dos resultados das últimas eleições. Eu pergunto: será que tanta pompa se justificava diante do nosso cenário econômico? Menos please!

OLHAR JURÍDICO Integrante do seleto grupo de 10 parlamentares que se dedicam ao estudo das propostas anti-crime do Ministério da Justiça, o deputado Fabio Trad (PSD) ganha espaço e elogios dos colegas e especialistas na área. Sua exposição após o encontro do grupo com o Ministro da Justiça  Sergio Moro  mostrou intimidade com a matéria e vem de encontro com os anseios da opinião pública e as necessidades tão visíveis. Também como advogado posso dizer que ele vem pautando pelo equilíbrio  no trato desta questão tão delicada que exige conhecimento, firmeza e acima de tudo sensibilidade.  

REDES SOCIAIS Quem não aderir ao novo instrumento de comunicação  ficará na saudade. Em sintonia com a realidade o PRB (Partido Republicano Brasileiro) já possui seu sistema de plataformas: 6.266 seguidores no Instagran, 4.139 no Twiter e 10.468 no facebook. No papo com o deputado estadual Antonio Vaz ( PRB) e o vereador e presidente do diretório estadual –  Gilmar da Cruz – percebi a estratégia de aumentar  a bancada de vereadores na capital (hoje são 2) e do interior (14). Para evitar problemas jurídicos o partido agiliza a formatação dos diretórios municipais em substituição as comissões provisões. É a luta pelo espaço.

VERGONHA! Esse tem sido o principal motivo que leva os homens públicos  ao suicídio. Aqui essa pratica é rara por motivos óbvios. O ex-presidente Getúlio Vargas (em 1954) e o ex-reitor da Universidade de Santa Catarina Luiz C. Cancelier (2016) preso por acusação de corrupção. Ficou famoso o caso de Budd Dwyer, governador da Pensilvânia (USA) em 1987 que cometeu suicídio frente as câmeras de TV antes da sentença final por corrupção e  o episódio do ministro Toshikasu Matsuoka, da Pesca do Japão (2007) que se enforcou pela acusação da mesma pratica.  Agora é vez do ex-presidente peruano Alan Garcia por envolvimento nas falcatruas da empreiteira Odebrecht. Imagine se todos os envolvidos na ‘Lava Jato’ tivessem a tempera de Garcia” Faltariam balas! Sem políticos  ‘Samurais’, jamais teremos o ‘Haraquiri’.

O RELÓGIO não para! Termina no dia 28 de junho próximo o prazo para os partidos  em âmbito municipal e estadual formalizarem seus diretórios permanentes. A resolução do TSE de 2018 vale para todos os partidos. Quem dormir de touca e não cumprir com as exigências estará impedido de lançar candidatos à prefeito e vereador nas eleições de 2020.  Tem um aspecto interessante: até aqui os partidos faziam o que bem entendiam com as comissões provisórias dos partidos nos municípios e estados.  Era comum às vésperas de lançamento de candidaturas nos pleitos municipais os dirigentes negociarem  destituindo toda a comissão provisória e nomeando  outras pessoas estranhas ao partido e ao ambiente político da cidade. Enfim, acabou o ciclo das maldades partidárias.

SEM ILUSÕES   Não custa pedir, mas para especialistas, não deve ter futuro a Proposta de Emenda a Constituição apresentada pelo deputado Peninha (MDB-PR)  prorrogando o atual mandato de prefeitos e vereadores para 2022. Para o e deputado Fabio Trad (PSD) ela  seria inconstitucional por agredir o princípio republicano que prevê eleições periódicas no art. 60, parágrafo 4º, inciso II da Carta Magna, onde fica estabelecido mandato de 4 anos. Impera a velha máxima de que não se pode mudar as regras no meio do jogo, sob pena de  se atentar contra o princípio democrático e a segurança jurídica.

DEPUTADOS  e suas ações na Assembleia Legislativa: Deputado João Henrique (PR),  Projeto  dispondo sobre a proteção de dados pessoais dos consumidores e Projeto que altera a redação do art. 55 da Constituição Estadual. Deputado Jamilson Naime (PDT), Projeto incluindo no Calendário Oficial de Eventos do Estado o Dia do Esporte Amador e o Projeto instituindo o Dia Estadual da Família na Escola. Deputado Marçal Filho (PSDB), Projeto incluindo Educação Financeira nos currículos escolares da rede estadual  e o Projeto restringindo porte de armas aos ‘violentos domésticos’. Deputado José Carlos Barbosa (DEM) projeto pedindo maior divulgação da tarifa social de energia elétrica e na tribuna falou da sua Lei sancionada que obriga o hospital a informar sobre a reconstrução da mama pelo SUS. Deputado Lucas de Lima  (SD) apresentou proposição pedindo ao Governo Estadual a nomeação de mais médicos especialistas para atendimento em Dourados. Deputado Capitão Contar (PSL) fez a entrega de medalhas da ‘Comenda Guararapes’ a 4 personalidades militares na Sessão Solene  que ele presidiu ( por deferência do deputado Paulo Correia (PSDB)  em homenagem ao Exercito Brasileiro. Deputado Gerson Claro (PP) apresentou proposição no sentido de que o Tribunal de Contas autorize o Governo Estadual a prorrogar a data ( vencida dia 15 último)  para adesão  do contribuinte ao programa do  REFIS.

NA INTERNET: ‘Onde está a petezeda exigindo retratação do STF?”   

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