Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 15 de Outubro de 2019

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Pe. Kurian Melayathu Joseph

Por: Pe. Kurian Melayathu Joseph

Jesus de Nazaré, a Boa Nova para o século 21 (36)

Reprodução Jesus Cristo  MESTRE ASCENSO E INSTRUTOR DO MUNDO

Jesus em Jerusalém, o centro de poder.

Estamos fazendo uma (re)leitura simples do texto do Evangelho de Marcos, considerado o mais primitivo entre os quatro evangelhos canônicos. O que motiva essa nossa leitura é o convite da “Igreja em saída” para conhecer a pessoa de Jesus, o conteúdo do nosso anúncio ao mundo em que vivemos. No Evangelho de Marcos, temos a narrativa primeira e mais sucinta da práxis de Jesus. Na opinião dos comentaristas atuais, a primeira parte de Marcos responde à pergunta: “Quem é Jesus?”. Na segunda parte, a pergunta é: “Como seguir Jesus?”

Chegando ao fim de seu ministério em Galileia, Jesus decidiu “subir” a Jerusalém (cf. Lc 9,51). Esta viagem a Jerusalém é, como que, recheado de detalhes importantes como o tríplice anúncio da paixão, os episódios que compõem um horizonte dentro do qual estes anúncios foram feitos, o horizonte marcado pela incapacidade crescente dos seus colaboradores mais íntimos a compreender o significado da práxis de Jesus. Os discípulos não estavam em sintonia com Jesus. Eles, neste estágio de seu seguimento de Jesus, estão ainda numa busca de auto engrandecimento e engajados na briga pelo poder (cf. Mc 8,32-33; 9,33-34; 10,35-37.41). Ironicamente, o autor de Marcos coloca estes detalhes numa “inclusão”, de duas curas de cegos: o de Betsaida e outro de Jericó (cf. Mc 8,22-26;10,46-52)! Estes recuperam sua vista; o primeiro num processo que tem suas etapas, enquanto o segundo é apresentado como alguém que já reconhece que Jesus de Nazaré é o “Filho de Davi”!

Ao aproximar-se a Jerusalém, ele realizou uma entrada solene e incomum, numa procissão improvisada e com a participação dos populares, a este centro de poder (cf. Mc 11,1-11). Chegada à cidade o rabino Jesus foi ao templo, observou tudo ao redor, saiu com os doze rumo a Betânia porque já era tarde (cf. Mc 11,11). Efetivamente, todos os quatro evangelhos têm, cada um, sua própria narrativa desta entrada de Jesus de Nazaré a Jerusalém. De acordo com esses relatos o evento deixou uma boa parte da população hierosolimitana curioso a seu respeito (cf. Mt. 21,10-11), enquanto o mesmo deixou as autoridades extremamente agitadas ou até mesmo sentindo-se impotentes temporariamente (cf. Lc 19,39-40; Jo 12,17-19).

Retomando a narrativa de Marcos, no dia seguinte, Jesus saiu de Betânia, e sentiu fome (Cf. Mc 11,12-14). Foram até a uma figueira que tinha avistado, para ver se tinha algum fruto. Com efeito não encontrou nada, a não ser só folhas, visto que não era a época de figos. No entanto o Nazareno dirigiu as palavras: “Nunca mais alguém coma do seu fruto” à arvore. O autor afirma que os discípulos ouviram essas palavras de Jesus.  O destino que Jesus proporciona a figueira ilustra a ação simbólica de julgamento que ele está para realizar no Templo, um dia depois da sua chegada a Jerusalém.

Chegaram Jesus e seus discípulos a Jerusalém de Betânia (Mc 11,15-19). Ele entrou no Templo e começou a expulsar os que exerciam atividades comerciais naquele local. No seu ensinamento, em seguida, o Nazareno enfatizou a necessidade de não transformar a casa de oração de todos os povos em abrigo de ladrões! Revoltados, os detentores de poder procuravam uma maneira de acabar com Jesus, mas tinham medo dele, pois seu ensinamento deixava a multidão toda maravilhada. No final do dia Jesus e seus discípulos saíram da cidade.

Na manhã seguinte, voltando para Jerusalém, Jesus e seus discípulos passaram, de novo, pela figueira seca. Pedro lembrou-se das palavras de Jesus que tinham causado o secar daquela árvore. Foi o momento em que Jesus ensinou o seus sobre a fé, isto é, é a fé que leva a realizar coisas normalmente consideradas impossíveis pelos humanos. A vivência de fé e atividades realizadas motivadas pela fé, exigem o perdão, a fim de que o Pai possa perdoar aquele que ora com fé. Aqui se evidencia uma convicção que as comunidades primitivas tinham, quer dizer, para viver a partir de sua fé é necessário que exista o perdão, a reconciliação na comunidade.

A figueira que secou expressa o alcance da ação de Jesus no Templo. Há uma referência a fé que move as montanhas (cf. Mc 11,20-26). A comunidade nova, a nova humanidade que se constrói a partir das palavras e ação de Jesus pode colocar de lado a montanha (onde o Templo estava construído) e começar o novo caminho, baseado na efetiva confiança em Deus e na vivência de perdão.

Pe. Kurian.

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