Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 24 de Agosto de 2019

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Pe. Kurian Melayathu Joseph

Por: Pe. Kurian Melayathu Joseph

Jesus de Nazaré, a Boa Notícia para o século 21 (36)

Divulgação Jesus em Jerusalém

Jesus de Nazaré em Jerusalém

Após sua entrada solene e “real” a Jerusalém, Jesus, o profeta de Nazaré, foi para o templo, observou tudo e como era tarde, se retirou para Betânia para passar a noite. No dia seguinte, ele saia de Betânia e sentiu fome. Avistaram uma figueira, foi ver se tinha algum fruto. Como era fora da época, não havia fruto algum. Então Jesus dirigiu sua palavra à árvore e disse: “nunca mais alguém coma seu fruto”. Os discípulos ouviram o que Jesus tinha dito (cf. Mc 11,12-14).

O autor do Evangelho de Mateus acrescenta um detalhe a mais ao que Marcos tem: a figueira secou logo (Mt 21,20-22). Aqui se trata de uma questão de fé; para quem tem fé, coisas maiores do que fazer uma figueira secar acontecerão. O exemplo que Jesus dá é falar a uma montanha para se deslocar ao mar e isto acontecerá. Jesus assegura seus seguidores que o que alguém pedir na oração com fé o receberá.

É de notar que o episódio de figueira e o discurso sobre a fé e oração são encontrados só nos evangelhos de Marcos e Mateus. Quero destacar que de acordo com o texto de Mc, somente após a ação simbólica de Jesus contra o esquema nefasto centrado templo é que os discípulos notaram que as palavras de Jesus contra a figueira tinham se realizado, o seja, a figueira secou. Já mencionamos que no texto de Mt a árvore secou na mesma hora que o profeta Jesus a amaldiçoou.

Jesus entrou no templo e começou a expulsar os comerciantes que ali estavam. Impediu as atividades comerciais no templo e ensinou o que estava escrito: a casa de Deus (o templo) é um lugar de oração para todos os povos. Ele questionou veemente sua transformação num covil de ladrões.

De fato, as autoridades “legalmente constituídas” já procuravam uma maneira de eliminar Jesus de Nazaré, o inconveniente (cf. Mc 3,6), mas tinham medo de multidão, maravilhada com o mundo alternativo que Jesus propunha construir.

A ação de Jesus no templo é, na verdade um julgamento contra o templo que deixara de lado as exigências de justiça. O Nazareno cita o profeta Jeremias (7,11) para denunciar qualquer tipo de amparo que a religião proporciona à violência e corrupção. Eis o porquê de “autoridades constituídas” quererem matar o profeta de Galileia. Marcos faz questão de dizer no final do episódio que “quando entardeceu, eles saíram da cidade” (Mc 11,19).

Na volta para Jerusalém, Jesus circulava pelo templo (cf. Mc 11,27-33; Mt 21,23-27; Lc 20,1-8). Vieram as “autoridades constituídas” do templo, indignadas com o que ele tinha feito no Templo, e começaram questioná-lo sobre a autorização ele teria para realizar as atividades de jeito que ele fazia. Jesus prometeu comprovar sua autorização ligando-a à resposta a pergunta ele faria a eles. Essa pergunta de Jesus era sobre o batismo de João: seria de Deus ou dos homens. Encontrando-se num dilema, os sumos sacerdotes e doutores da lei escolheram responder afirmando que não sabiam de onde vinha o batismo de João. Diante dessa resposta prevaricadora o Nazareno recusou demonstrar a autorização que lhe permitia sua práxis. Assim Jesus silenciou os porque sabe das contradições que marcam o agir delas, e a distância que as separa do povo. 

No Evangelho de João o episódio da ação profética de Jesus contra o esquema econômico financeiro centrado no Templo de Jerusalém é colocado bem no início do livro, logo após o primeiro sinal: a transformação de água em vinho em Caná (Jo 2,1-13), durante sua primeira visita a Jerusalém. Jesus evidencia claramente sua consciência da possibilidade de usar as atividades religiosas pelos interesses econômicos e políticos nefastos do grupo dominante. Neste contexto a atual bem-sucedida comercialização dos sentimentos e/ou objetos religiosos levanta perguntas inquietantes sobre as igrejas que atuam neste mercado.

Sob outra perspectiva, o texto de João (2,13-22) mostra que o corpo ressuscitado de Jesus é o templo que importa agora. Para uma comunidade que vive após a destruição de Jerusalém e do seu Templo pelos romanos uma oportunidade para se convencer de que o culto que agrada a Deus não é aquele que se define por lugares e ritos, mas o que acontece na vida, “em espírito e verdade (Jo 4,23).

Jesus de Nazaré em Jerusalém age energicamente para mostrar a “proximidade do Reino de Deus”. Mesmo no meio de contestações ele toma a iniciativa para demostrar que o Reino vai muito além das expectativas convencionais em voga nos seus dias.

Pe. Kurian.

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