Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 24 de Agosto de 2019

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Pe. Kurian Melayathu Joseph

Por: Pe. Kurian Melayathu Joseph

Jesus de Nazaré a Boa Notícia para o século 21 (35)

Domingo de Ramos A entrada “real” de Jesus de Nazaré em Jerusalém

A entrada “real” de Jesus de Nazaré em Jerusalém

Agora começamos a leitura os textos que falam das atividades de Jesus de Nazaré em Jerusalém, o centro de poder religioso e político na Palestina naquele tempo. O poder religioso Palestinense já funcionava subordinada aos poderes imperialistas nos séculos bem antes de tempo de Jesus. Nos seus dias era o império romano que dominava a vida em todos os seus diversos aspectos em sua terra natal.

Do nos falam os evangelhos sinóticos, pode parecer que essa é a única vez que Jesus subiu a Jerusalém, o centro de poder; no entanto o Evangelho de João fala da subida do Nazareno a cidade santa também em outras ocasiões (cf. Jo 2,1; 5,1; 7,10;). O importante é que ambos, os sinóticos e o João, reportam essa entrada real de Jesus em Jerusalém como algo especial.

Aqui vale lembrar que Jesus de Nazaré foi assassinado, executado na cruz, na “forma da lei” baseando-se na acusação de ele ser “Rei dos Judeus”. Na cabeceira da cruz tinha a placa com as letras iniciais “INRI” (Jesus Nazareno Rei dos Judeus), visto que, naquele tempo a pretensão de soberania real, por parte de qualquer um, era considerado crime, punido com a pena da morte no império romano; com efeito quem se declarou rei defrontava o próprio César.

Outra observação importante é que a práxis de Jesus de Nazaré é resumido nos evangelhos sinóticos como o anúncio de “Reino/Reinado de Deus” (cf. Mc 1,14 e paralelos). Estes mesmos evangelhos reportam também o pedido de “bom ladrão” nestas palavras: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino” (cf. Lc 23,39-43).

Mencionamos tudo isso como uma introdução antes de falar da “entrada real” do profeta de Nazaré a Jerusalém com o intuito de iluminar as nuanças e a sobreposição que a proposta do “Reino” que o Nazareno instaurava aos reinos tradicionais, que combatem ainda hoje, as comunidades dos seguidores de Jesus enquanto estes não andam na linha que o imperialismo neocolonial, neoliberal, decreta.

Todos os quatro evangelhos canônicos reportam a entrada “real” de Jesus em Jerusalém na última fase das suas atividades antes de ser sequestrado “por um ardil” (cf. Mc 14,1-2; Mt 26,1-5; Lc 22,1-2) e crucificado “na forma da lei”. Os textos encontram-se em Mc 11,1-11; Mt 21,1-11; Lc 19,28-40 e Jo 12,14.

É notável que os textos falam da preparação para a entrada real em Jerusalém têm vários elementos comuns; os discípulos receberam instruções de como organizar o evento, isto é, emprestar a montaria do Nazareno; as narrativas enfatizam o cumprimento dessa ordem como foi estipulado. Na totalidade dos detalhes que os evangelhos nos narram o evento contém, evidencia-se espontaneidade e improvisação mais do que o planejamento meticuloso e execução fiel, que marcam a entrada de alguém como Pilatos, o governador romano, por exemplo, na cidade de Jerusalém com toda a pompa militar de um poder ocupador.

Os participantes no evento improvisaram: arrumaram seus próprios mantos e Jesus montou o jumento; alguns estenderam suas túnicas pelo caminho, outros estenderam ramos de árvores que tinha cortado no campo. Todos os participantes da procissão gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o Reino o que vem, do nosso pai Davi” Hosana nas alturas (Mc 9-10) nas alturas”. Assim entrou Jesus entrou Jerusalém, foi para o templo, observou tudo e foi para Betânia com os doze.

Na narrativa de Mateus o emprestar o jumento é interpretada como cumprimento de profecias encontradas em Isaías 62,11 (… Veja! Sua salvação chegou...) e Zacarias 9,9-10 (Dance de alegria, filha de Sião. Grite de alegria, filha de Jerusalém, pois agora seu rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento, num jumentinho filho de uma jumenta. Ele destruirá os carros de guerra. Anunciará a paz a todas as nações, e seu domínio irá de mar a amar, do rio Eufrates até os confins da terra.).

Ademais, quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira agitou-se e dizia: “Quem é este?” A isso as multidões respondiam: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré na Galileia”. (Mt 21,10-11).

Quanto a Evangelho de Lucas, ele tem acréscimo próprio: diante dos gritos de Hosana, os fariseus pedem Jesus calar seus discípulos, mas este responde que se os discípulos calassem as pedras gritariam (cf. Lc 19,28-40).

Ao chegar em Jerusalém, o Nazareno foi para o templo, observou tudo e retirou-se para Betânia. O Nazareno chega como líder popular. De fato seus adversários estão tramando contra ele. Também nessa semana da Páscoa há uma outra cerimônia em que Pilatos, o representante do poderio imperial e da religião oficial, entrava em Jerusalém com suas regalias imperiais. A cidade santa vive uma contradição; ela, a cidade considerada santa, abriga ao mesmo tempo instituições promotoras da dominação e por isso não consegue identificar na visita de Jesus a ela a possibilidade de trilhar um caminho de justiça e da paz.

O texto de João (12,12-29) enfatiza a capacidade da multidão reconhecer em Jesus o rei que chega, não como conquistador militar, após ter realizado tantos sinais de vida, e ela corajosamente dá testemunho a seu respeito diante das autoridades hostis. Estes, efetivamente, ficaram até estupefatos, visto que, disseram uns aos outros: “… vocês não estão conseguindo nada. Vejam: todo mundo vai atrás de Jesus!”

É momento dramático, de confronto de Reino de Deus com o Império, uma construção humana que tende utilizar deuses a seu favor.

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