Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 22 de Maio de 2019

Agro e sustentabilidade

Técnicas sustentáveis de plantio preservam o solo e aumentam rendimento da produção

Acrissul
Foto: Divulgação Na Fazenda Amigos do Cerrado, sistema agroflorestal tem contribuído para manter o solo equilibrado
Na Fazenda Amigos do Cerrado, sistema agroflorestal tem contribuído para manter o solo equilibrado

Fonte de alimentos, nutrientes, água e diferentes formas de vida, o solo é um dos recursos naturais que mais tem sofrido com a degradação causada por uso inadequado. Problemas como erosão, perda de matéria orgânica e de biodiversidade desafiam produtores e especialistas a desenvolver técnicas sustentáveis de plantio e manejo para preservar os diferentes tipos de solo do país.

Nesta segunda-feira, 15 de abril, é celebrado o Dia Nacional de Conservação do Solo. A data foi instituída pela Lei Federal 7.876/1989 como homenagem a Hugh Hammond Bennett, considerado o pai da conservação do solo nos Estados Unidos. O objetivo é promover uma reflexão sobre a necessidade de utilizar o solo de forma adequada e sustentável.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) mostra que mais da metade do solo da América Latina sofre algum tipo de degradação. No mundo, o percentual de degradação é de 33%. Os prejuízos mais evidentes são a compactação da terra, que agrava os impactos de enchentes, a perda de fertilidade e a menor captação de carbono da atmosfera.

Segundo Maria de Lourdes Mendonça, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Cocais) e que integrou o Painel Intergovernamental de Solos da ONU, os solos brasileiros também estão sofrendo com degradação de diferentes tipos.

“Não é só erosão, é salinização, poluição, perda de nutrientes, acidificação. Por exemplo, se você cultiva e não faz uma adubação orgânica mineral, só retirando, sem repor, o sistema não fica em equilíbrio. Quando produz um alimento, você retira nutrientes do solo. E o desequilíbrio criado é um tipo de degradação”, explica.

A especialista pondera que a evolução da agricultura brasileira tem proporcionado o desenvolvimento de boas práticas, como cultivo em rotação de culturas, plantio direto, Integração Lavoura Pecuária e Florestas, fixação biológica de nitrogênio, entre outras. Algumas dessas práticas também ajudam a reduzir o volume de insumos e defensivos aplicados.

O Brasil tem seguido as recomendações do manual voluntário de práticas sustentáveis de manejo do solo, criado no âmbito da Aliança Global pelo Solo, segundo o especialista em ciência do solo, Jefé Leão Ribeiro, integrante da Coordenação de Conservação do Solo e Água, da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“O Brasil sofre dos mesmos problemas globais. Com certeza há problemas de degradação, mas temos um diferencial, porque os sistemas produtivos fomentados pelo governo são sustentáveis. Agora, tem que ampliar o alcance das boas práticas”, disse Ribeiro.



Fonte: Mapa

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