Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 24 de Agosto de 2019

Educação

Seminário de Educação Patrimonial aborda o projeto Reviva Campo Grande

Governo do Mato Grosso do Sul
Foto: Governo do Mato Grosso do Sul Seminário de Educação Patrimonial

Com debate sobre requalificação urbana que acontece na região central de Campo Grande, começou nesta desta quinta-feira (15.08), no auditório da Faculdade Instead, o IX Simpósio Estadual de Educação Patrimonial e III Seminário Municipal de Patrimônio Cultural. Até esta sexta-feira, arquitetos e urbanistas, profissionais da construção, gestores e cidadãos discutem a maneira de se atuar em edificações, objetivando também a valorização da cultura através da arquitetura edificada. 

O diretor da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Max Freitas, representando a diretora-presidente da Fundação, Mara Caseiro, agradeceu a toda a equipe organizadora do evento e a parceria com demais instituições: “Seminários como esse dão trabalho para organizar, mas dão resultado. Obrigado pela parceria com a Sectur, a Prefeitura, a Faculdade Instead e o Instituto dos Arquitetos do Brasil, e a Planurb. Acredito que Educação Patrimonial deve ser discutida desde o Ensino Médio, não só a partir das universidades. Para isso, a Fundação de Cultura está à disposição.  Nossa parceria com a Prefeitura de Campo Grande continua aberta”.

O prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, fez uma breve explanação sobre o projeto Reviva Campo Grande e incentivou as discussões sobre o assunto. “Existem momentos que só Deus pode explicar. Estamos reunidos aqui hoje por uma mudança, uma transformação. A Arquitetura e a Engenharia podem mudar nossa cidade. Campo Grande completa 120 anos e neste momento, agradecemos por aqueles que planejam o desenvolvimento de uma cidade”.

Foi realizada uma homenagem póstuma ao arquiteto José Marcos da Fonseca, que estava escalado para participar do seminário. A placa que o homenageia foi recebida pela viúva, Maria Elaine. “Ele era apaixonado pelo patrimônio histórico”, diz. O prefeito completou: “Era uma pessoa à frente do seu tempo, que pensava no passado. Deixou um legado de bondade e sabedoria pelos caminhos que percorreu”.

A primeira palestra, sobre o projeto Educa Iphan, foi ministrada pelos técnicos do órgão, o historiador José Augusto Carvalho dos Santos e o arquiteto André Vilela, representando a superintendente Maria Clara Scardini, que não pôde comparecer devido a um compromisso de última hora no Rio de Janeiro.

Em seguida, a coordenadora central de Projetos da Prefeitura Municipal de Campo Grande, Catiana Sabadin Farmarrenho, falou sobre o programa Reviva Campo Grande. “ Este programa que está mudando a área central. O objetivo é muito maior do que apenas uma revitalização; é resgatar o sentimento de pertencimento da população com relação ao centro da cidade, resgatar sua memória afetiva”.

Neste Programa de investimento e financiamento, o Reviva Campo Grande, estão envolvidos US$ 56 milhões do BID e o mesmo valor de contrapartida da Prefeitura, com taxa de juros de 2,74% ao ano, carência de cinco anos e meio e amortização de 25 anos. Entre as ações do projeto está a requalificação da rua 14 de Julho e transversais: conversão de cinco para duas pistas de rolamento, projeto de embutimento da rede elétrica e retirada dos postes (que consome 40% dos recursos), colocação de iluminação de led, novas calçadas, paisagismo com árvores de grande porte, tudo nos 1.400 metros da rua, desde a Fernando Corrêa da Costa até a avenida Mato Grosso.

Farmarrenho explica que também no quadrilátero da área central que abrange a rua Padre João Crippa, a Calógeras, a Fernando Corrêa da Costa e a Mato Grosso, será feito recapeamento do asfalto, paisagismo com renovação da vegetação, iluminação e a construção de uma rota cicloviária, visando melhorar a circulação de pedestres. “Pretendemos deixar de priorizar o carro para que a cidade seja priorizada por pessoas”, diz.

Outra ação do projeto é a construção de unidades habitacionais no centro da cidade, além da ampliação e melhoria do sistema de transporte público. Para isso, estão sendo adquiridos terrenos na região central, e a ideia é construir casas com projeto arquitetônico demelhor padrão estético, diferente do modelo ”caixote” das casas populares.

O Reviva Campo Grande também prevê a restauração dos prédios históricos do centro. Segundo Farmarrenho, são mais de 100 imóveis com interesse histórico no centro, 35 só na rua 14 de Julho. A arquiteta da Gerência de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Cláudia La Picirelli de Arruda, afirma que a Fundação de Cultura está sendo procurada por comerciantes dessa área solicitando esse trabalho de restauração: “Neste projeto inicial da Prefeitura não foram contempladas fachadas, só infraestrutura urbana. Está emergindo a necessidade de essas coisas andarem juntas. Está aqui o presidente do IAB, Nivaldo Vieira de Andrade, que já fez vários trabalhos de restauração de fachadas, para contribuir com sua experiência. Estamos propondo uma discussão em cima desses projetos. O Centro da Cidade de Campo Grande é considerado uma  Zona Especial de Interesse Cultural (Zeic), pois os imóveis são patrimônios culturais, mesmo não sendo tombados, são edificações antigas.

Essas discussões continuam na tarde desta quinta e também durante toda a sexta-feira. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no link http://bit.ly/EventoPatrimônio . O evento acontece na Faculdade Insted, localizada na Rua 26 de agosto, nº 63, Centro. Mais detalhes sobre a programação você confere clicando aqui.

Karina Lima – Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS)

Fotos: Daniel Reino

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