Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 15 de Outubro de 2019

Internacional

Presidente do Parlamento Europeu exasperado com Boris, que lhe disse que não vai pedir mais tempo

SUSANA FREXES, EM LONDRES
Foto: Divulgação / Assessoria presidentejpg.jpg

David Sassoli saiu algo exasperado do encontro com o primeiro-ministro britânico. Numa conversa com vários jornalistas em Londres, o presidente do Parlamento Europeu não escondeu alguma irritação com o que considera ser a falta de propostas de Boris Johnson para ultrapassar o impasse do Brexit.
"Achei que estava num talk show de televisão", disse Sassoli sobre o encontro desta terça-feira à tarde, adiantando que o tom da conversa foi "muito franco" e "muito sincero" em vez de burocrático. Boris Johnson voltou a dizer-lhe que quer deixar a União Europeia no dia 31 de outubro e que não pretende pedir mais tempo. "Ele disse que não vai pedir uma extensão", adianta Sassoli.
E, sem prolongamento da permanência, nem acordo, o que resta é uma saída caótica dos britânicos no final do mês. O parlamento britânico já legislou para impedir que aconteça, mas o desfecho do Brexit continua incerto e confuso.
O italiano que lidera o Parlamento diz-se "muito preocupado" com a "falta de progressos". Esta terça-feira de manhã, tanto Sassoli, como Johnson, falaram com Angela Merkel, mas a conversa entre o britânico e a chanceler alemã não correu bem e terá deixado claro que a posição de Londres está em rota de colisão com a dos 27. Boris Johnson quer a Irlanda do Norte fora de uma União Aduaneira com a União Europeia e para Berlim é óbvio que essa solução não funciona.
O presidente do Parlamento Europeu concorda e reforça o recado de Berlim. "Não vamos aceitar um acordo que ponha em causa o Acordo de Sexta-Feira Santa e o processo de paz ou que comprometa a integridade do nosso Mercado Único", diz Sassoli. E a explicação é simples: fora de uma união aduaneira, os controlos alfandegários entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda tornam-se inevitáveis e isso significa o regresso de uma fronteira onde não deveria voltar a estar.
CABE A LONDRES FAZER PROPOSTAS CREDÍVEIS
De quem é a culpa do impasse? O jogo intensifica-se, mas Sassoli não tem dúvidas de que cabe a Londres fazer propostas credíveis porque as que foram feitas até agora não o são. "Esta é uma responsabilidade do sr. Johnson e do Governo britânico", diz aos jornalistas, adiantando que as "ideias" do Reino Unido para substituir o mecanismo de salvaguarda para as Irlandas (backstop), "estão longe de algo com que o Parlamento Europeu possa concordar".
Sassoli é duro no tom e nas críticas às explicações que Boris Johnson lhe deu, para concluir que ele "não quer um acordo". Ainda assim, acredita que a União Europeia está disponível "até ao último minuto" para tentar alcançá-lo", haja "vontade" também do outro lado. Ao mesmo tempo, avisa: é preciso que o Reino Unido apresente algo concreto para ser discutido.
A uma semana da próxima Cimeira de Líderes, e a três do Halloween, o impasse mantém-se e intensifica-se o braço de ferro entre Londres e Bruxelas. Em Bruxelas, a Comissão Europeia diz que não houve qualquer ruptura das negociações e que a discussão continua ao nível técnico. "Estamos a dar a oportunidade ao Reino Unido de apresentar as suas propostas mais detalhadamente”, diz a porta-voz Mina Andreeva.
Já o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, não esconde a falta de paciência crescente e na rede social Twitter escreveu a Boris Johnson: "não quer um acordo, não quer uma extensão, não quer revogar o pedido de saída, quo vadis?". Sassoli vai pelo mesmo caminho e tenta pressionar Londres a definir o que quer.

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