Campo Grande/MS, 19 de Setembro de 2018

Turismo e gastronomia

Pitada Regional: Tereré na cozinha

Revista Ambrosia - POR FERNANDA NASCIMENTO PROCHMANN
Foto: FERNANDA NASCIMENTO PROCHMANN Tereré na cozinha
Tereré na cozinha

Como uma herança indígena que caiu tanto no gosto dos sul-mato-grossenses, o tereré é tão importante e está tão enraizado nos costumes do Estado, que é considerado patrimônio imaterial e cultural de Mato Grosso do Sul. A bebida tem história e não poderia ficar de fora da nossa Cesta regional.

Feita pela infusão da erva, o tereré, de acordo com estudos antropológicos, já era consumido pelas tribos guarani, nhandeva, kaiowá e outras etnias, antes da Guerra do Paraguai e da Guerra do Chaco (entre Paraguai e Bolívia, 1932-1935) e, por volta do século XVII, os jesuítas adquiriram este costume com eles. Na época, como não havia bomba de metal, obviamente, os índios usavam ossos de pássaros e finas taquaras como canudo.

Foi na fronteira com o Paraguai, em Ponta Porã, que o ciclo do tereré ganhou força, batizando, inclusive, a cidade como Princesinha dos Ervais. De apenas água fria e erva-mate, passando pela inclusão do limão e hortelã, nos dias de hoje vários sabores foram incorporados à bebida, como menta, uva e até framboesa. O ingrediente principal do tereré, a erva-mate, também caiu nas graças dos cozinheiros que utilizam seu sabor amargo em receitas deliciosas de linguiça, maionese, caipirinha e até doces, como as ensinadas aqui pelo chef Gustavo Helney.

Formado pela primeira turma de Gastronomia do Brasil, Gustavo é um precursor do regionalismo na culinária sul-mato-grossense. Aqui o tereré aparece em duas criações, um sorvete e o tiramisu de bocaiuva com redução de tereré. Helney explica que a dosagem de tereré é muito importante para não deixar a sobremesa amarga. A receita do sorvete foi criada em 2004 e utiliza como base o sorvete de creme. Já a do tiramisu foi desenvolvida em conjunto com uma confeiteira e é uma releitura do doce de origem italiana mais famoso do mundo. O tiramisu é basicamente um pavê com creme de mascarpone, biscoitos de champagne embebidos no café e chocolate. A adaptação do chef leva pão-de-ló de bocaiuva, cream cheese, chocolate meio amargo e, no lugar do café, tereré.

Deixe seu Comentário