Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 16 de Outubro de 2019

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Para despertar o potencial feminino, programa “Ela Pode” leva empoderamento e capacitação a detentas da Capital

Governo do Mato Grosso do Sul
Foto: Governo do Mato Grosso do Sul Programa “Ela Pode” leva empoderamento e capacitação a detentas

Comunicação, liderança, negociação, finanças, networking, marca pessoal e ferramentas digitais são temas trabalhados durante a capacitação presencial promovida pelo Projeto “Ela Pode” junto a detentas de Campo Grande, realizada na última semana na unidade semiaberto e em andamento no regime fechado.

Realizado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), o programa é totalmente gratuito e busca o empoderamento das mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, proporcionando conhecimento para incremento na renda pessoal, aumento da autoestima e da autoconfiança, o que contribui diretamente para a elevação da taxa de empregabilidade, bem como, impulsionamento para a abertura de novos negócios.

A ação nas unidades prisionais é uma parceria entre IRME, Defensoria Pública do Estado, através do seu Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), por meio de sua Diretoria de Assistência Penitenciária (DAP). A capacitação tem carga horária de 16 horas e envolve a participação de cerca de 70 reeducandas.

“Encorajamos mulheres empreendedoras ou que estejam em busca de crescimento pessoal e profissional, ajudando-as a conquistar independência financeira e de decisão sobre seus negócios e vidas”, ressaltou a coaching executiva de negócios, Caroline Reis, empreendedora e multiplicadora do programa “Ela Pode”, realizado nos presídios.

Atuando há cerca de três anos como embaixadora da IRME, Caroline se considera uma arquiteta de pessoas. “Eu desenho projeto de mulheres com o objetivo de se desenvolverem e se capacitarem para construírem seus próprios sonhos”, argumentou Caroline.

No Estabelecimento Penal Feminino de Regime Semiaberto de Campo Grande (EPFRSAAA-CG), o programa foi realizado em dois sábados, para atender às internas que trabalham durante a semana. Ao todo, 34 internas concluíram a qualificação no local.

Com linguagem acessível, lições práticas e explanação didática foi possível transmitir todo o conhecimento de forma muito eficaz. É o que assegurou a diretora do presídio de regime semiaberto, Cleide Santos do Nascimento Freitas. “As internas permaneceram atentas durante todo o curso, participando de forma empolgada e efetiva na construção do conhecimento ministrado. Prova disso foi que, ao final das 16 horas de aprendizado, apresentaram trabalhos, realizados em grupo, onde demonstraram que realmente absorveram a ideia proposta”, argumentou.

Para uma das internas, que concluiu o programa no regime semiaberto, a capacitação contribuiu para ampliar a visão de futuro das participantes. “Vou sair do sistema prisional de cabeça erguida e disposta a abrir um pequeno negócio, seja com a venda de bolo ou artesanato, entre outras opções. Foi uma capacitação bem dinâmica e esclarecedora, que nos ensinou a administrar e empreender, foi muito importante”, afirmou a detenta A.B.C., agradecendo a oportunidade.

Já no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ), a qualificação teve início nesta terça-feira (9.7) e prossegue até sexta-feira (12.7), com a participação de 35 custodiadas inscritas.

A diretora da unidade penal, Mari Jane Boleti Carrilho, parabenizou o desenvolvimento desse programa com as internas em regime fechado. “O empoderamento da mulher é um tema de extrema visibilidade no cenário atual, seja na política, na vida social, na saúde ou educação. Não estamos aqui lutando por igualdade de gênero apenas, mas sim pela igualdade de direitos, nos capacitando para ocupar posições importantes também na sociedade”, destacou.

A responsável por coordenar as ações nas unidades penais, a chefe da Divisão de Promoção Social da Agepen, Marinês Savoia, destaca que foi possível realizar o programa nos presídios femininos da capital graças à união de esforços. “A intenção é proporcionar mecanismos para que essas mulheres conquistem oportunidades e valorização no mercado de trabalho, após seu retorno à sociedade”, enfatizou.

O programa é realizado com o apoio do Google e representa a primeira e maior rede de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil. Prioriza a integração, capacitação e troca de conhecimento entre mulheres que possuem ou buscam o próprio negócio, espalhadas por todo o país. Outras informações podem ser obtidas no site do Instituto Rede Mulher Empreendedora: www.institutorme.org.br.

Texto: Keila Oliveira e Tatyane Santinoni.

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