Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 22 de Agosto de 2019

Internacional

Pai encontra filha raptada há 40 anos durante a ditadura argentina. “Espero que seja um encontro grandioso”

Expresso
Foto: DR Carlos Solsona tinha pouco mais de 30 anos quando iniciou o processo de busca incessante e solitária na expectativa de localizar a herdeira.

Carlos Solsona tinha pouco mais de 30 anos quando iniciou o processo de busca incessante e solitária na expectativa de localizar a herdeira. Hoje, aos 70 anos, vai poder ver finalmente a filha pela primeira vez. “Espero que seja um encontro grandioso”, afirma este pai argentino



Ao longo de 40 anos, Carlos Solsona não deixou de alimentar a esperança de encontrar um filho que fora sequestrado em 1977 durante a ditadura militar na Argentina. Dessa criança nada sabia. Nem mesmo se se tratava de um menino ou de uma menina. Por isso, este pai argentino tentou ao mesmo tempo não criar demasiadas expectativas sobre o caso. “Era um mecanismo de defesa para evitar que isto me destruísse ainda mais”, explicou ao diário “El País” Carlos Solsona.

Tinha pouco mais de 30 anos quando iniciou este processo de busca incessante e solitária na expectativa de localizar o herdeiro. Admite que carregava uma “mochila que pesava cada dia mais”, mas nunca aceitou desistir.

Hoje, aos 70 anos, essa luta conduziu-o finalmente ao resultado esperado. O grupo Avós da Praça de Maio – que se dedica a encontrar netos sequestrados durante a ditadura militar argentina entre 1976 e 1983 – anunciou a descoberta do 129.º neto. É uma mulher, tem 42 anos, e vive em Espanha. Em breve, deverá conhecer o pai biológico, Carlos Solsona.

“Ninguém tem ideia das milhares de noites que passei em branco, sem dormir, à espera deste momento”, declarou Carlos Solsona na terça-feira em conferência de imprensa.

ENCONTRO SERÁ EM BREVE

Confessando que está ansioso por não saber como irá decorrer o encontro, o pai disse esperar que seja um bom momento. “Não quero imaginar situações, pois posso lamentá-las mais tarde. Ela tem 40 anos, tem uma vida e eu caio agora na vida dela. Mas espero que seja um encontro grandioso”, acrescentou.

Foi em 2013 que foi possível descobrir a filha de Carlos Solsona, mas após ser contactada para realizar um teste de ADN esta mulher acabou por desistir. Só em junho de 2017, a herdeira deste cidadão argentino retomou o contacto com as autoridades.

“Há duas semanas, a 'nova neta' chegou a Buenos Aires e apresentou-se à Justiça a 3 de abril. Aceitou depois realizar as análises que comprovaram ser a filha de Carlos Solsona e Norma Síntora”, afirmou a presidente do grupo das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto citada pelo jornal “Clarín”.

Segundo esta responsável, “o tempo é agora”. “Ajudemos a reparar as feridas que a ditadura e o terrorismo do Estado nos deixou”, sublinhou.

A filha de Carlos Solsona nasceu em abril de 1977, cerca de um mês depois da sua mãe, Norma Síntora, militante do grupo guerrilheiro Exército Revolucionário do Povo (ERP), ter sido sequestrada quando se encontrava escondida na casa de uns colegas do partido. O pai já tinha fugido para o estrangeiro.

Para trás, deixou o filho Marcos, nascido dois anos antes, que ficou ao cuidado dos avós maternos e que só reencontrou nos anos 80. Nesta altura, o pai, o irmão e os sobrinhos aguardam ansiosamente pelo encontro familiar, que será no mínimo histórico.

Deixe seu Comentário