Campo Grande/MS, 15 de Dezembro de 2018

Internacional

O chocante caso do casal de serial killers suspeito de vender partes dos corpos de suas vítimas

BBC Brasil
Foto: PROMOTORIA ESTADO DO MÉXICO Promotoria do Estado do México havia publicado anúncio procurando o casal suspeito do desaparecimento de uma mulher, mas acabou descobrindo que eles podem estar por trás de pelo menos dez assassinatos
Promotoria do Estado do México havia publicado anúncio procurando o casal suspeito do desaparecimento de uma mulher, mas acabou descobrindo que eles podem estar por trás de pelo menos dez assassinatos

Um casal preso no México transportando corpos humanos em um carrinho de bebê é suspeito de matar ao menos dez mulheres e de vender pedaços das vítimas.

"São fatos inéditos, nunca havíamos nos deparado com tal coisa antes", disse o promotor do Estado do México Alejando Gómez Sánchez, que classificou os casos como "feminicídios em série", uma vez que as investigações indicam que a maioria das vítimas era de mulheres.

Foram encontradas quatro bolsas de plástico com restos humanos no apartamento do casal, identificado como Juan Carlos e Patricia, em um terreno baldio e em outra propriedade próxima.

Para os investigadores, a dupla também guardava corpos das vítimas em cubos cheios de cimento, em baldes e em um frigobar e os vendia. Ainda não está claro quem os comprava.

Depois de ter sido detido na quinta-feira, Juan Carlos confessou ter matado 20 mulheres no município de Ecatepec, na região metropolitana da Cidade do México.

Os feminicídios são comuns no México, mas muitas vezes acabam impunes. A confissão do casal deixou o país indignado e motivou protestos nas ruas de Ecatepec.

Os vizinhos afirmaram que toda vez que viam Juan Carlos e Patricia eles estavam empurrando um carrinho de bebê, o mesmo em que a polícia encontrou as partes dos corpos das vítimas.

A polícia prendeu os dois depois do desaparecimento, em setembro, de Nancy Huitron, de 28 anos, e de sua filha, de apenas dois meses de idade, Valentina.

Protesto contra feminicídio no MéxicoDireito de imagemEPA
Image captionMoradores de Ecatepec, no México, foram às ruas protestar contra o assassinato de mulheres

Juan Carlos confessou ter assassinado Huitron. Também revelou o nome de outras duas vítimas: Arlet Olguín, de 23 anos, e Evelyn Rojas, de 29 anos.

Os investigadores disseram que Juan Carlos contou ter abusado sexualmente de algumas mulheres antes de matá-las. Também confessou ter vendido os pertences das vítimas e partes do corpo delas.

Nancy, Arlet e Evelyn eram mães solteiras e haviam desaparecido nos últimos meses.

A polícia chegou até o casal ao investigar o sumiço de Nancy Huitron. Como ela não buscou as duas filhas mais velhas na escola, um vizinho avisou a polícia. A bebê havia, segundo os investigadores, sido vendida pelo casal. Agora Valentina está sob os cuidados da avó.

Boletim de urgência de Nancy HuitronDireito de imagemPROMOTORIA ESTADO DO MÉXICO
Image captionA polícia chegou ao casal depois de investigar o desaparecimento de Nancy Huitron, em 6 de setembro

Impunidade

Para a polícia, as vítimas conheciam Juan Carlos e Patrícia, porque compravam deles roupa e comida. Patricia costumava atrair as pessoas com a desculpa de mostrar alguns produtos.

Quando foram presos, os dois pediram para tomar um banho e trocar de roupa antes de serem apresentados à imprensa - eles disseram que não eram "um casal sujo".

Também não demonstraram nenhum tipo de remorso. "Eles não mostram sinais de culpa pelo que fizeram, mostram felicidade", disse o promotor Gómez.

O Estado do México é a região com o maior número de mulheres desaparecidas no país. Entre janeiro e abril deste ano, 395 pessoas desapareceram naquele estado, das quais 207 eram mulheres.

Os desaparecimentos concentram-se principalmente em áreas violentas, controladas geralmente por gangues.

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