Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 15 de Outubro de 2019

Argentina Bolívia e Paraguai

Novo presidente do Paraguai enfrentará a desigualdade, pobreza, corrupção e a falta de infraestrutura no País

Redação TerereNews
Foto: mario-abdo-tererenews mario-abdo-tererenews

[caption id="attachment_41786" align="alignnone" width="510"] Pobreza: Red Rural[/caption]

WASHINGTON — Taxas de crescimento acima de 4% ao ano, baixo nível de endividamento, expansão do mercado imobiliário e inflação sob controle. Esse é o resumo positivo da economia do Paraguai, que tem mantido nos últimos anos o melhor desempenho da região. Por outro lado, também é um país com forte desigualdade social, infraestrutura precária, problemas de corrupção e uma pobreza que atinge quase 30% de sua população. As autoridades tentam vender a face positiva paraguaia, mas é com os números precários que o novo presidente que será escolhido neste domingo terá que lidar.

 POR ANA PAULA RIBEIRO - O GLOBO  - foto de capa: br.sputniknews.com

 

— Já temos programas de transferência de renda que ajudam em momentos de choque na economia. É uma cobertura importante porque amortece os problemas. Mas, de fato, no médio e longo prazo, precisamos de reformas estruturais, como na área de saúde e educação — disse Lea Giménez, ministra da Fazenda do país, que falou ao GLOBO durante sua participação no encontro de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na visão da ministra, que está no cargo há menos de um ano, é preciso trabalhar para que a população mais carente do país seja qualificada não só para encontrar empregos no curto prazo, mas também para enfrentar mudanças estruturais trazidas pelas novas tecnologias.

— Esse é o maior desafio. Quando a economia muda e dá um salto estrutural, aqueles que não podem se adaptar ficam para trás — completou.

O Paraguai, nos últimos 15 anos, até conseguiu reduzir a pobreza quase pela metade. Ainda assim, a fatia dos que ainda estão nessa condição chega a 28% da população. É uma parcela elevada que não tirou proveito do crescimento de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado — o FMI espera que nesse ano a expansão seja de 4,5% e de 4,1%, bem acima dos 2,3% e 2,5% esperados para o Brasil.

Giménez acredita que as mudanças estruturais que garantem esse crescimento e que podem contribuir para a redução da pobreza serão mantidas no novo governo. Mario Abdo Benítez é do Partido Colorado, o mesmo do presidente, Horacio Cartes, e lidera com folga as pesquisas. Seu concorrente é Efraín Alegre, do Partido Liberal.

— Não vejo uma mudança muito radical da política econômica. Algo que pode ser muito importante para definir a trajetória é como se dará o processo de transição, que precisa ser o mais suave no primeiro ano e tem que ter maturidade para transmitir o conhecimento dos últimos anos — disse.

‘LEI DAS MAQUILAS’ IMPULSIONA ECONOMIA

Nesse conhecimento dos últimos anos estão as reformas feitas que permitiram a ascensão macroeconômica do Paraguai. Tudo começou com uma reforma fiscal feita em 2003, quando o país se viu impossibilitado de pagar a sua dívida. Após arrumar as contas, a decisão foi diversificar a economia, que é fortemente dependente das exportações de soja. Para isso, estimulou a atração de empresas brasileiras com a “Lei das Maquilas”, que garante um imposto de apenas 1% quando toda a produção é exportada.

— Com a “Lei das Maquilas” o Paraguai encontrou o seu lugar na região. Estreitamos a relação com o Brasil e geramos empregos de qualidade. E para o Brasil é melhor fabricar no Paraguai, que é próximo, do que na China — justificou.

São pouco mais de 100 empresas sob esse regime, sendo que mais de dois terços são brasileiras, e que geram pouco mais de 9 mil empregos.

— Parece pouco, mas somos um país pequeno. E mais do que o número de empregos, são postos de maior qualidade, o que também é muito importante. São empregos formais — disse.

As exportações do Paraguai de produtos feitos nas “maquilas” chegou a US$ 415 ,3 milhões, e 76,9% foi destinado ao Brasil. São produtos têxteis, autopeças e produtos de couro.

O interesse do Paraguai é também atrair investimentos de outros parceiros no Mercosul para o desenvolvimento da infraestrutura na região, que tem muitas estradas não pavimentadas e pouca cobertura do sistema de saneamento básico. E garantir o financiamento para a pavimentação da Rodovia Bioceânica — que liga o Brasil ao Chile, cruzando o Paraguai —, que poderia facilitar a exportação de produtos brasileiros e melhorar a infraestrutura no país vizinho.

E ser um país mais transparente também é um desafio que Giménez acredita que o país já começou a enfrentar.

— Enfrentamos o desafio de fazer uma Lei de Transparência, que é de 2015. E temos também uma Lei de Responsabilidade Fiscal, que ajuda na melhor gestão das contas públicas — disse.

O país enfrentou recentemente um escândalo de corrupção que envolveu o judiciário, que faz com que seja uma das instituições em que os paraguaios menos confiam.

 

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