Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 19 de Outubro de 2019

Tecnologia

Nobel de Física 2019 vai para pesquisas que ajudam a entender o Universo

Giovana Girardi
Foto: Divulgação / Assessoria nobeljpg.jpg

Os pesquisadores James Peebles, nascido no Canadá e naturalizado americano, Michel Mayor e Didier Queloz, ambos da Suíça, foram laureados nesta terça-feira, 8, com o Prêmio Nobel de Física 2019 por suas contribuições para o entendimento da evolução do Universo e do lugar que a Terra ocupa no Cosmos.
Peebles vai receber metade do prêmio, de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,74 milhões), pelas descobertas teóricas da cosmologia física. Mayor e Queloz vão receber a outra metade pela descoberta de um exoplaneta que orbita uma estrela solar.
O trabalho teórico de Peeble, desenvolvido ao longo de duas décadas, é a base do nosso entendimento moderno sobre a história do Universo, desde o Big Bang aos dias atuais.
Em suas pesquisas, iniciadas em meados dos anos 1960, ele investigou os 14 bilhões de idade do Universo e estabeleceu as teorias sobre sua composição.
A partir do Big Bang, quando era extremamente quente e denso, o Universo começou a se expandir e esfriar. Cerca de 400 mil anos depois, já era transparente, e os raios de luz começaram a ser capazes de viajar pelo espaço. Essa radiação antiga ainda está presente e contém segredos do Universo estão escondidos.
Com ferramentas e cálculos teóricos, Peebles interpretou esses traços de radiação e concluiu que apenas 5% do Universo é conhecido - a matéria que constitui estrelas, planetas, árvores e seres humanos. O restante, 95%, é matéria escura desconhecida e energia escura.
"Este é um mistério e um desafio para a física moderna", apontou o comitê do Nobel.
Após passarem um tempo procurando a Via Láctea por mundos desconhecidos, Mayor e Queloz fizeram a primeira descoberta em 1995, do exoplaneta 51 Pegasi - um gigante gasoso comparável ao maior planeta do nosso Sistema Solar, Júpiter.
A dupla iniciou uma revolução na Astronomia e desde então, mais de 4 mil exoplanetas foram descobertos na Via Láctea. "Novos mundos estranhos ainda estão sendo descobertos, com uma incrível riqueza de tamanhos, formas e órbitas", frisou o comitê.
"Os premiados deste ano transformaram nossas ideias sobre o cosmos. Enquanto as descobertas teóricas de James Peebles contribuíram para a compreensão de como o Universo evoluiu após o Big Bang, Michel Mayor e Didier Queloz exploraram nossas vizinhanças cósmicas em busca de planetas desconhecidos. Suas descobertas mudaram para sempre nossas concepções de mundo", disse o comitê do Nobel em comunicado à imprensa.
Peeble participou por telefone da cerimônia de anúncio do prêmio e deu, emocionado, um conselho para jovens que estão iniciando na ciência. "Você tem de fazer isso pelo amor à ciência. Você deveria entrar na ciência porque é fascinado por ela", disse, ao revelar que para ele funcionou assim.
"Não é fascinante que temos clara evidência de que o Universo se expandiu de estado muito quente e denso, mas ainda temos de admitir que a matéria escura e a energia escura ainda são misteriosas", afirmou o premiado com o Nobel de Física ao ser questionado por um jornalista sobre qual era a sua suposição sobre o que compõe 95% do Universo. "Isso significa que apesar de termos feito grandes avanços no entendimento da evolução do nosso Universo, ainda temos questões abertas particularmente sobre o que afinal é a matéria escura e a constante cosmológica (energia escura)."
Entre 1901 e 2018, o Nobel de Física foi entregue 112 vezes; em 47 ocasiões, apenas um pesquisador foi laureado. Mas somente três mulheres foram agraciadas com o prêmio até hoje: Maria Curie, em 1903; Maria Goeppert-Mayer, em 1963; e Donna Strickland, em 2018.
Veja quem são os vencedores do Nobel de Física 2019
James Peebles, de 84 anos, nasceu no Canadá, é naturalizado americano. Físico, foi professor da Universidade Princeton, justamente na cadeira que tinha sido de Albert Einstein.
Michel Mayor, de 77 anos, nasceu na Suíça. É astrônomo e professor da Universidade de Genebra.
Didier Queloz, de 53 anos, é também suíço e astrônomo. É professor da Universidade de Genebra e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
 

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