Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 15 de Outubro de 2019

Variedades

Nas comemorações dos 75 anos de Chico Buarque, cantor tem obra digitalizada

Correio Brasiliense
Foto: Divulgação / Assessoria httpariquemesonlinecombrimg364459gnas20comemoracoesjpg.jpg

Ter conquistado o Prêmio Camões, o mais importante reconhecimento literário da língua portuguesa, pelo conjunto da obra como compositor, dramaturgo e romancista, não foi o único afago que Chico Buarque recebeu ao completar, recentemente, 75 anos. Parte da fecunda obra musical do genial artista carioca foi digitalizada pela Sony Music e está disponível nas plataformas de streaming.
Ela está reunida em nove álbuns em oito coletâneas, que representam parte inestimável da discografia de Chico, mais especificamente da fase correspondente à sua fase de maturidade como compositor, letrista e cantor — período de sofisticadas canções, embora sem perder a aparente simplicidade de cantigas populares.
A lista abre com o LP Francisco, de 1987, e fecha apresentando Seleção Essencial — Grandes Sucessos, registrada em CD de 2011. Todo esse acervo, relançado digitalmente, pertencia à gravadora BMG, e hoje integra o catálogo da Sony Music. São destaques títulos como Chico Buarque (1989), Paratodos (1993), Chico Buarque de Mangueira (1997), As Cidades (1998), Cambaio(2001).
Há ainda, dentro do universo digital, uma página interativa exclusiva, uma sala virtual sobre o mar do Rio de Janeiro, em que cada clique o visitante fica sabendo sobre toda a carreira de Chico, em especial aspectos que se relacionam com cada disco desse relançamento. Todo esse processo faz parte do projeto de digitação do catálogo da Sony.
De acordo com Igor Mucarbel, diretor de marketing estratégico da Sony, liberar discos do catálogo da gravadora e colocá-los nas plataformas de streaming é importante porque uma parte da história ainda não está digitalizada. “No caso do Chico, unimos a celebração dos seus 75 anos com o lançamento de parte do seu catálogo, nove álbuns de carreira e oito compilações.
“Foi feita uma grande pesquisa, masterização da obra e atualização do design gráfico, explorando elementos modernos, para mostrar a pluralidade do Chico. Isso pode ser percebido também com a página interativa, na qual o público pode passear em um cenário hipe-realista, onde estão diversos itens que remetem à carreira dele”, explica Mucarbel.
Francisco

Quando Chico lançou Francisco, em 1987, dando início à fase BMG, estava há três anos sem gravar, pois se dedicara a trilhas para cinema e teatro. Na volta ao estúdio levou como As minhas meninas, Bancarrota blues, uma parceria com Edu Lobo; Ludo real e Cadê você, que fez com Vinicius Cantuária e João Donato, respectivamente, além de Cantando no toró, só dele. Mas as faixas de maior destaque foram a quase autobiográfica Velho Francisco, Estação derradeira e Todo sentimento (tabelinha com o pianista Cristovão Bastos), que viria a se tornar um clássico da MPB.
Chico Buarque, de 1989 traz, entre outras, Morro Dois Irmãos, inspirado na montanha que chama a atenção de quem frequenta as praias de Ipanema e Leblon; A mais bonita, Uma palavra e O futebol, uma ode ao esporte de sua preferência e a craques por quem tem admiração, em especial Pagão, ex-centro-avante do Santos da era Pelé. Na sequência da lista vem Chico Buarque Ao Vivo — Paris, Le Zenith, de 22 faixas, uma espécie de balanço da sua obra até então.
Paratodos é uma síntese desse período. No celebrado álbum foram reunidas músicas que permanecem na memória afetiva de muitos brasileiros, entre as quais Futuros amantes, Biscate, De volta ao samba e Piano na Mangueira, em que Chico Buarque tem Tom Jobim como parceiro. A elas se juntam Choro bandido (do musical Corsário do rei) e Sobre todas as coisas (do balé O grande circo místico), espetáculos que criou com Edu Lobo.
Mas o grande sucesso é a faixa título, em que nos seis versos da letra, o poeta resume não apenas a a trajetória como compositor, mas também a da sua geração, despertada para a música sob a inspiração da obra de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Antônio Brasileiro, a quem chamou de “Maestro Soberano”.
Mesmo de molho, em casa, por conta de uma grave contusão que sofreu jogando futebol no seu Politeama, em 1995, Chico não ficou parado e cuidou da produção de Uma palavra, em que reviu canções presentes em outros trabalhos, Amor barato, A Rosa, Estação derradeira, Joana Francesa, Samba e amor e A Rosa. Nesse projeto, o cantor passou a contar com o violonista Luiz Cláudio Ramos, como arranjador e diretor musical.
Entre 1996 e 2011 foram lançadas oito coletâneas buarqueanas, como Série Aplauso, O melhor de Chico Buarque, RCA 100 Anos de Música — Chico Buarque e Seleção Essencial — Grandes Sucessos — Chico Buarque. É desse período, igualmente, os álbuns Chico Buarque de Mangueira – com a participação de Alcione, da irmã Cristina Buarque e dos mangueirenses Jamelão, Nelson Sargento, Alcione e Lecy Brandão — para o qual chama Chico compôs em parceria com Hermínio Bello e Carvalho Chão de Esmeralda, em homenagem à Verde Rosa — As Cidades e Cambaio. Este último é outro trabalho voltado para o teatro, realizado a quatro mãos por Chico Buarque e Edu Lobo.
Contrabaixista que acompanha Chico desde 1988, quando deixou Brasília e radicou-se no Rio de Janeiro, o cearense Jorge Helder lembra que após Paratodos tomou parte das gravações de todos os discos do cantor, inclusive Caravanas, o mais recente, em que há o registro de Casualmente, parceria dos dois. “Tem músicas nossas também em outros dois CDs Bolero blues, no Carioca, de 2006; e Rubato, no Chico, de 2011. Dessa série que acaba de chegar nas plataformas digitais, os meus preferidos são Paratodos e o Chico Buarque Ao Vivo — Paris, Le Zenith, de 1990.
Responsável pela direção musical e arranjos de álbuns de Chico a partir de Uma palavra, o violonista Luiz Cláudio Ramos diz que o cantor e compositor se mostra atento a todos os detalhes do processo de gravação. “Para mim, é uma grande felicidade trabalhar com um artista da importância de Chico Buarque, ícone da música e da cultura brasileira, a quem acompanho desde o álbum Francisco, de 1988”.
Chico Buarque
Lançamento de 17 títulos da obra do cantor e compositor nas plataformas de streaming: https://SNB.Ink.to/ MelhoresDeChico.
Página interativa: http:bit.Iy/Chico75. 
 
Irlam Rocha Lima

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