Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 15 de Outubro de 2019

Agro e sustentabilidade

Meio Ambiente, produtores rurais e índios na amazônia, confira entrevista com a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina

Correio Braziliense - Dad Squarisi, Denise Rothenburg e Hamilton Ferrari
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press Ministra da Agricultura

Ministra da Agricultura afirma que 13% das terras brasileiras são indígenas e que o problema não são as tribos isoladas, mas as "urbanas". Sobre a floresta, defende uma discussão séria já que o avanço da região se deu pelo subsídio e não pelo bioma

Uma das duas mulheres que compõem a equipe ministerial do presidente Jair Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se diz empenhada em adotar novas práticas no setor para favorecer os produtores rurais, sobretudo os pequenos. Ela demonstra preocupação com a falta de recursos para o crédito agrícola, principalmente com o oficial. O orçamento apertado da União restringe as políticas de concessão de subsídios.

A ministra garante que vai facilitar o empreendimento dos agricultores e instituir o “autocontrole” nas indústrias fiscalizadas pela pasta: o empresário é responsável pela qualidade do produto e o Estado fiscaliza. Para Tereza Cristina, trata-se de mudança de paradigma. Segundo ela, o brasileiro parte do pressuposto de que o setor privado pratica ações irregulares. Precisa, por isso, da tutela do governo para manter-se na linha. Desvios, segundo a ministra, constituem exceção, não regra.

Ressaltou que a Amazônia será preservada, sem descartar a possibilidade de outras nações contribuírem para manter a floresta de pé. Ao longo da gestão, pretende conquistar novos parceiros comerciais e manter os já existentes — incluídos os países árabes que, com a hipótese da transferência da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, poderão cobrar explicações na mesa de negociações.

Ex-presidente da Frente Parlamentar de Agricultura na Câmara dos Deputados, Tereza Cristina disse que, se necessário, se licencia do cargo para votar com o DEM, partido a que é filiada: “Voto em Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara”. A ministra da Agricultura concedeu entrevista para o Correio, em casa.

Como está a questão da falta de dinheiro para o crédito agrícola?

O orçamento está cada vez mais apertado. O volume de recursos se mantém, mas a agricultura cresceu mais que o crédito oficial. Temos de achar uma saída.

Qual seria ela?

Temos de trabalhar melhor o seguro rural para termos uma base que atenda mais produtores. Começamos as discussões agora no governo, mas vínhamos falando disso na Frente Parlamentar (de Agricultura). Vamos ter que achar outras ferramentas de crédito no mercado. Hoje, se os juros no Brasil caem, fica mais fácil para o produtor tomar um crédito que não seja muito mais caro do que o oficial e não seja tão burocrático. Aliás, isso já acontece. Onde é que o grande produtor toma recursos, já que tem uma limitação por CPF para a tomada do crédito oficial? Ele vai ao mercado. E quem são os grandes emprestadores? São as traders — investidor do mercado financeiro que busca ganhar dinheiro com operações de curto prazo. Esse dinheiro é caro, porque é dólar e mais alguma coisa. O grande produtor vai ter que trabalhar mais com esse tipo de crédito. Agora, nós temos o pequeno e o médio. Uma rodada de negociações está agendada para a semana que vem com o novo vice-presidente do Banco do Brasil (Ivandré Montiel da Silva). O assunto é importantíssimo e a indefinição causa instabilidade.

Os presidentes dos bancos públicos disseram, quando empossados, que se impunha reduzir subsídios para conseguir fechar as contas. Como é que fica o setor?

Não é bem um subsídio o que a agricultura tem. Nosso juro era tão alto que foi preciso o governo dar um juro menor. É ótimo emprestar para a agricultura, porque se trata de dinheiro de curtíssimo prazo. Mas, sem o seguro, os bancos resistem por causa do risco climático, o maior problema para o setor. Essa é uma variável que está na mão de São Pedro.

Há alguma proposta de abdicar do subsídio para ajudar no equilíbrio fiscal?

Não. A agricultura vai brigar até o último minuto. Os juros do Brasil são os mais altos do mundo. São taxas incompatíveis com a nossa inflação e outros indicadores econômicos. Nós precisamos conseguir um seguro diferente do que temos hoje — um seguro de renda porque, quando se perde a lavoura, não basta ter dinheiro para pagar o financiamento. Nos Estados Unidos, quando há um acidente climático, o produtor recebe um cheque em casa pelo correio do seguro de renda. Ele fica muito tranquilo, porque sabe que vai poder voltar a produzir, além de não criar esse ciclo de riqueza e pobreza existente na agricultura brasileira. O produtor vem empobrecendo e perdendo competitividade no Brasil. A infraestrutura é quase zero. Nós ainda escoamos a produção por uma matriz antieconômica. Mesmo assim, a nossa balança comercial vem sendo positiva nos últimos anos graças à agricultura. Não podemos perder a galinha dos ovos de ouro. Principalmente para o pequeno produtor rural. Ele não pode perder o crédito subsidiado enquanto não sair da condição engessada em que se encontra.

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