Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 17 de Outubro de 2019

Internacional

Líder democrata refere pela primeira vez impeachment de Trump

HÉLDER GOMES
Foto: Divulgação / Assessoria httpariquemesonlinecombrimg370525gliderjpg.jpg

Apresidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, apelou este domingo à divulgação do relatório de um denunciante que alegadamente alertou para os pedidos do Presidente dos EUA, Donald Trump, de ajuda eleitoral junto do seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Numa carta enviada ao Congresso, Pelosi deixa claro que espera que o diretor interino dos serviços de informação nacional, Joseph Maguire, divulgue o documento quando comparecer diante da comissão de informação na próxima quinta-feira. Caso contrário, poderá inaugurar-se “um novo e grave capítulo de ilegalidade”, sublinha.
O bloqueio da Administração à divulgação da queixa significa levar Maguire a violar os estatutos federais, que afirmam inequivocamente que o diretor dos serviços está obrigado a partilhar com o Congresso a informação de que dispõe, descreve Pelosi. “O Governo está a pôr em risco a nossa segurança nacional e a provocar um efeito aterrador sobre qualquer futuro denunciante que se deparar com um procedimento incorreto”, sinaliza na missiva, citada pelo jornal “HuffPost”.
TRUMP TERÁ PEDIDO “CERCA DE OITO VEZES” A COLABORAÇÃO DO PRESIDENTE UCRANIANO
Na sexta-feira, o diário “The Washington Post” noticiou que a assessoria jurídica da Casa Branca pressionara para a queixa não ser divulgada ao Congresso. Já o “Wall Street Journal” esclareceu que o documento, datado de 12 de agosto, diz respeito a uma chamada de Trump a Zelensky, durante a qual o Presidente norte-americano pediu “cerca de oito vezes” ao homólogo ucraniano para colaborar com o seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, numa investigação ao filho do antigo vice-Presidente Joe Biden.
Biden é o candidato mais bem colocado para conseguir a nomeação democrata para as eleições de 2020 em que Trump procura a reeleição.
Na carta, Pelosi insta os congressistas a garantirem que a Casa Branca “conduz sempre as políticas de segurança nacional e externa no melhor interesse do povo americano, não no interesse pessoal ou político do Presidente”. A líder democrata também exorta os republicanos a juntarem-se-lhe no apelo à divulgação do relatório. “Esta violação é sobre a nossa segurança nacional. O inspetor-geral determinou que o assunto é ‘urgente’ e, por conseguinte, enfrentamos uma emergência que deve ser abordada imediatamente”, acrescenta.
O ‘IMPEACHMENT’ COMO “ÚNICO REMÉDIO”?
Ao concluir a carta, Pelosi alude à possibilidade de ‘impeachment’ (destituição) presidencial, alertando que qualquer esforço continuado para bloquear a chegada da queixa ao Congresso conduzirá a “um novo estágio da investigação”. Até agora, a democrata tem-se abstido de apoiar um processo de ‘impeachment’ de Trump.
O presidente da comissão de informação da Câmara dos Representantes, Adam Schiff, que também tem hesitado em apoiar a destituição, adotou um outro tom na entrevista que concedeu este domingo à CNN. “Se ficar provado que Trump reteve a ajuda militar à Ucrânia como moeda de troca para a colaboração, o ‘impeachment’ poderá ser o único remédio que equivalha ao mal” dos alegados atos cometidos.
Na véspera, a senadora Dianne Feinstein, a principal figura democrata na comissão de justiça, revelou ter escrito ao procurador-geral, William Barr, “exigindo que o relatório do denunciante seja entregue ao Congresso, como requerido por lei”.
Os alarmes começaram a soar na última quarta-feira, quando o “Washington Post” noticiou a queixa de um funcionário dos serviços de informação, escrevendo que este abordou o inspetor-geral Michael Atkinson com alegações de que Trump tinha feito “promessas preocupantes” durante um telefonema com um líder estrangeiro.
No início deste mês, três comissões da Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas desde as eleições a meio do mandato do ano passado, lançaram uma investigação para apurar se Trump e Giuliani tentaram manipular as autoridades ucranianas para ajudar à reeleição do Presidente. Entre as alegações sob investigação está a hipótese de Trump ter ameaçado reter 250 milhões de dólares (mais de 225 milhões de euros) em ajuda à Ucrânia se o país não acedesse ao pedido.

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