Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 24 de Maio de 2019

Espiritualidade e religião

Jesus, a Boa Notícia para o século 21 (6)

Redação TerereNews
Foto: jesusbasilica jesusbasilica
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A Palavra se fez carne
Enquanto Marcos deu início a sua versão da história do Filho de Deus apenas numa frase sucinta (cf. Mc 1,1), nós vimos como Mateus e Lucas têm dois capítulos cada um, com muito mais detalhes para nos apresentar Jesus, o libertador, Deus libertador presente no meio do seu povo. Aos poucos nós viemos descobrindo como estes e outros detalhes nos revelaram a “leitura” própria que cada evangelho faz da pessoa deste Jesus. Aqui nós vamos examinar o que o Evangelho de João vai nos dizer na sua introdução.
Em nossas observações inciais sobre esta série, que procurava mostrar Jesus como a “Boa Notícia” para o século 21, nós comentamos sobre a diferença entre o Evangelho de João e os sinóticos. Para começar, o autor de João começa seu Evangelho com um hino majestoso que nos lembram dos conteúdos encontrados nos Livros dos Provérbios (8,12-21) e Eclesiástico (24,1-21). É o prólogo que se encontra no capítulo 1, 1-18, com duas inserções (cf. Jo 1,6-8.15) que nos apresentam João Batista que dá testemunho sobre Jesus.
No princípio era o Verbo ou a Palavra (do grego LOGOS). O Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. No Verbo é a Vida, a luz dos homens. É a luz que brilha nas trevas, a luz que as trevas não conseguem ofuscar.
Falamos acima das duas inserções no texto de prólogo. A primeira delas, de três versículos (Jo 1,6-8) apresenta João como aquele que Deus enviou para dar testemunho; ele tem consciência de não ser a luz que todos esperavam. Portanto, seu testemunho é dado para que todos acreditassem na luz; reforça-se a ideia de que João veio apenas para dar testemunho a respeito da luz.
Essa luz sobre a qual João dá testemunho é a luz que ilumina todos os homens. Ela está no mundo; de fato, o próprio mundo foi feito por ela, mas o mundo não a conhece. A rejeição que a luz, o Verbo divino, encontra no mundo é comparado à rejeição que uma pessoa que vem aos seus e é rejeitado pelos seus sente.
No entanto, aos que acolheram essa luz, foi dado o poder de se tornarem filhos de Deus. O processo dessa filiação implica uma escolha explicita, uma decisão consciente; ao mesmo tempo a fé no Verbo é um dom de Deus também .
O versículo 14 faz uma declaração radical: o Verbo se fez carne. Este “se fazer carne”, é o que nos dá a oportunidade para contemplar sua glória, a glória do unigênito do Pai. E o evento “se fazer carne” está possibilitando algo que vai muito além do que é possível para nós de praxe.
No versículo 15 é reportado o testemunho de João outra vez: este (o Verbo feito carne) é de quem ele testemunhou. É aquele que vem depois de João, porém passa na sua frente, porque existia antes dele!
O hino afirma no v.16 que é da plenitude deste Verbo, que se fez carne, é que recebemos a nossa plenitude. Aqui se faz memória de Moisés por quem a lei foi nos dado, lembrando que a graça e a verdade tornaram-se possibilidades para nós através de Jesus Cristo. E por fim, temos uma afirmação revolucionária: ninguém jamais viu Deus; é neste unigênito de Deus que temos a oportunidade de “ver” Deus; em outras palavras, é no unigênito de Deus que acontece a autorrevelação de Deus.
É conveniente concluir essa apresentação inicial de Jesus nos quatro evangelhos canônicos salientando dois pontos, entre muitos outros, que cada evangelista tem a nos expôr, já no início da sua obra, sobre o Salvador. Isto, em vista do momento histórico atual que exibe pronunciada aversão a figura de Jesus, o libertador.
Enquanto Marcos começa com títulos cristológicos, os outros três evangelhos têm introduções mais detalhadas para anunciar a chegada da “Boa Nova”, Jesus de Nazaré, o Deus conosco. Referimos, primeiro, às genealogias nos Evangelhos de Mateus e Lucas. Mateus, usando este artifício literário insere Jesus no novo povo de Deus que teve seu início no chamado de Abraão; Lucas, que enfatiza a salvação em Jesus para toda a humanidade, constrói uma genealogia diferente em alguns aspectos, e que chega até Adão, a figura que marca o início da humanidade. É preciso dizer a genealogia em Luca encontra-se no capítulo 3, 23-38, e não num capítulo inicial, como em Mateus. Para falar de João, a teologização sobre a pessoa de Jesus na época da redação final de João levou o autor apresentar o Nazareno como o Verbo preexistente.
O segundo ponto que vamos enfatizar é: o fim trágico de Jesus (o crime do seu assassinato judicial) é o cúmulo de algo que já existia desde seu nascimento. De fato, Mateus narra a caça do “recém-nascido rei dos Judeus”, e os infanticídios que o déspota Herodes cometeu na sua tentativa de eliminar seu rival (cf. Mt 2,1-18). O autor de João faz apenas uma simples afirmação no seu Prólogo: “O Verbo veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam” (Jo 1,11). Agora nós estamos prontos para passar a falar da preparação mais próxima da vida pública de Jesus, a “Boa Nova” para o nosso século 21 na pregação de João Batista.
Pe. Kurian.

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