Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 24 de Maio de 2019

Espiritualidade e religião

Jesus, a Boa Notícia para o século 21 (5)

Redação TerereNews
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Da infância de Jesus, o que Evangelista Lucas nos conta

Também o Evangelho de Lucas dedica seus primeiros dois capítulos para nos falar da infância de Jesus de Nazaré. Nestes dois capítulos o autor quer nos mostrar que Deus age para realizar seu projeto, precisamente nas situações consideradas impossíveis para seres humanos.
Nos quatro versículos iniciais do primeiro capítulo o autor declara sua intenção de apresentar uma narrativa bem-ordenada depois de ter investigado tudo cuidadosamente. Ele vê no nascimento de João Batista e o de Jesus a resposta divina ao povo que ansiava por uma vida melhor. Essa resposta divina é dada dentro da história humana. Para evidenciar isto, ele apresenta referências históricas apropriadas, de acordo com os costumes de seu tempo.
O anúncio do nascimento de João foi feito por um anjo ao seu pai Zacarias quando exercia sua função sacerdotal no templo. Foi algo inesperado para ele, que já era um ancião e esposo de uma mulher que tinha passado o tempo normal de engravidar-se. Zacarias não deu conta de acreditar naquilo que ele ouvia. Por sua incredulidade ele ficou mudo. Sua mudez serviu como sinal para a população de que Zacarias foi escolhido para uma missão extraordinária e tinha passado por uma experiência inusitada enquanto servia no santuário.
Isabel, a esposa de Zacarias, engravidou-se algum tempo depois que ele retornou do templo, tendo completado suas funções ministeriais. Isabel, naturalmente, ficou imensamente grata a Deus por ter livrado-a da humilhação de ser uma mulher estéril, mas ocultou sua gravidez durante cinco meses.
No sexto mês da gravidez da Isabel, o anjo Gabriel foi enviado a Maria, uma jovem de Nazaré, prometida em casamento a José, da casa de Davi, para anunciar sua gravidez. Surpreendida, a moça faz perguntas necessárias para esclarecer suas dúvidas sobre este acontecimento estranho e inesperado. É uma obra de Deus, explicou o mensageiro de Deus, é a nova criação, que está sendo realizado na história humana. Ela foi a agraciada para ser a colaboradora na realização no plano de Deus para a humanidade. Neste contexto sua gravidez é interpretada como obra do Espírito Santo, assim como foi na criação (cf. Gn 1,1). Ao ouvir que para Deus nada é impossível, Maria deu seu consentimento e se tornou a serva do Senhor. Ela também foi informada que sua parenta Isabel, uma mulher considerada estéril, estava no sexto mês de gravidez.
Sem demora Maria partiu para a região montanhosa onde morava Zacarias e Isabel. O momento de encontro dessas duas mães, testemunhas vivas de que Deus age nas situações impossíveis para o ser humano, ocasionou uma profissão da fé da igreja (cf. Lc 1,42-43) e um dos belíssimos cânticos neotestamentários: “O Magnificat” que louva a Deus pela libertação humana que Ele realiza na história (cf. 1,46-55).
O nascimento de João Batista foi um momento de grande alegria para os parentes e vizinhos, sem falar da família do recém-nascido. No entanto, o momento de circuncidar o menino foi um momento de emoções mistas, até assombroso, pois aconteceu mais uma coisa inesperada: seu pai recuperou sua capacidade de falar. Temos aqui na boca de Zacarias outro cântico importante da igreja, “O Benedictus) que bendiz o Senhor pela libertação que Deus na sua misericórdia cede a humanidade (cf. Lc 1,68-79).
O segundo capítulo começa narrando o nascimento de Jesus (Mt 2,1-7). De novo, o autor dá as indicações necessárias para mostrar que este acontecimento que traz radical novidade à história humana, é histórico. O casal Maria e José tiveram que se deslocar a Belém para cumprir uma ordem imperial. Resumidamente podemos afirmar que Maria deu à luz a seu primogênito numa situação de carência de tudo, o que assemelha à situação dos migrantes que hoje procuram uma vida melhor fora dos seus países. Assim Jesus nasceu na cidade de Davi, Belém.
São os humildes pastores da região que receberam a notícia do nascimento de Jesus. Um anjo anuncia-lhes essa boa notícia; sua primeira reação é de medo, mas o anjo lhes pediu para tomar coragem se alegrarem, pois há motivo para isso: o nascimento do Salvador na cidade de Belém, a cidade de Davi. De repente muitos outros juntaram-se ao mensageiro de Deus e temos aqui mais um hino da Igreja– o famosíssimo “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos que ele ama!” (Lc 2,14).
Assim que desapareceram os anjos, os pastores foram a procura do recém-nascido. Eles encontraram tudo de jeito que o anjo tinha anunciado. Foi um momento em que todos ficarem maravilhados com o que os pastores contavam. Por sua parte, Maria guardou tudo no seu coração, meditativamente. Os pastores voltaram da visita agradecendo a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como tinha sido dito a eles.
Maria e José levaram o menino para a circuncisão, deu lhe o nome de Jesus como foram instruídos pelo anjo antes da sua concepção. Nesta ocasião apareceu Simeão, um homem justo e piedoso que esperava a consolação de Israel. Movido pelo Espírito Santo ele tomou a criança nos braços e louvou a Deus com outro hino da igreja antiga: o “Nunc dimittis” (cf. Lc 2,29-32); e deu uma mensagem especial para a mãe do menino. Havia também uma profetisa, Ana, que desde sua juventude não se afastava do Templo, servindo a Deus piedosamente. Ela chegou neste momento e dando graças a Deus, falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém (cf. Lc 2,36-38). Terminadas as cerimônias a família voltou para casa em Nazaré de Galileia. E o menino crescia forte, sábio com a graça de Deus sobre ele.
No final do segundo capítulo o autor nos conta da peregrinação anual da família a Templo de Jerusalém. Contudo, esta vez aconteceu algo diferente, pois Jesus ficou para trás na hora da viagem de volta. Sentindo sua falta no final da viagem do primeiro dia, Maria e José voltaram a sua procura e o encontraram no templo no terceiro dia. O jovem Jesus estava no meio dos doutores, fazendo perguntas e interagindo com eles de maneira que deixou todos maravilhados com sua inteligência e suas respostas. À sua mãe que reclamou do seu comportamento, recebeu uma resposta que nem ele nem seu pai deu conta de entender. No entanto, ele desceu para Nazaré com os pais e viveu obediente a eles; crescia em sabedoria, tamanho e graça, diante de Deus e das pessoas. Mais uma vez, sua mãe guardava todas as coisas em seu coração.
Pe. Kurian

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