Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 16 de Outubro de 2019

Nacional

Homem considerado o maior estuprador em série de Goiás é indiciado por 22 abusos

Rodrigo Gonçalves
Foto: Divulgação / Assessoria homemjpg.jpg

A Polícia Civil concluiu e enviou à Justiça inquéritos que reúnem 22 casos atribuídos a Wellington Ribeiro da Silva, de 52 anos, o homem considerado o maior estuprador em série de Goiás. O indiciamento, segundo a delegada Ana Paula Machado, foi pelo crime de estupro e também, em alguns casos, por roubo.
De acordo com a polícia, os 22 estupros foram atribuídos ao preso após confirmações por meio de exames de DNA. Além destes casos, pelo menos, outros 34 são investigados pela Polícia Civil, alguns deles de vítimas que procuram a corporação após a prisão de Wellington, em 12 de setembro, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana.
“A força-tarefa enviou os inquéritos na última terça-feira. Neles constam os casos que já tínhamos confirmados. Além do indiciamento pelos 22 estupros, temos também alguns casos de roubos relatados pelas vítimas”, contou a delegada.
O G1 tenta localizar a defesa de Wellington. A Polícia Civil informou que o preso não apresentou advogado durante o interrogatório, realizado após a prisão dele, em 12 de setembro, em Aparecida de Goiânia. Segundo a delegada, o homem confessou ter praticado seis dos 22 crimes já atribuídos a ele.
Ainda de acordo com Ana Paula, com a conclusão destes inquéritos, a força-tarefa, composta por ela e pelos outros delegados Carlos Leverger, Álvares Lins e Cybelle Tristão, foi encerrada.
“São ao todo já 56 casos investigados, mas não dá para precisar se esse número não subiu ou vai subir, porque a partir de agora, as vítimas passam a procurar as delegacias da região onde aconteceram os casos”, comentou a delegada.
Caso de grávida é investigado

Dos 56 casos de estupros investigados em Aparecida de Goiânia, Hidrolândia, Abadia de Goiás, Bela Vista e Goiânia, a Polícia Civil já sabe, por algumas características passadas pelas vítimas, que não será possível confirmar se o Wellington é realmente o autor.
Um destes casos é de uma mulher que diz ter ficado grávida de um estuprador e procurou a delegacia de Aparecida de Goiânia.
Segundo a delegada Ana Paula, a vítimas procurou a polícia dois meses após ter sido estuprada, não sendo possível a coleta do material para análise. Além disso o retrato falado feito por ela, não bate inicialmente com as características de Wellington.
“A vítima disse engravidou do estuprador e já teve bebê recentemente. Vamos voltar a ouvi-la. O caso é investigado, mas o retrato falado é bem diferente, e a abordagem relatada por ela foge um pouco do padrão do que Wellington agia”, informou Ana Paula.
O estupro da mulher que ficou grávida teria acontecido há um ano, quando ela estava em um ponto de ônibus. “Ela disse que o estuprador estava a pé e usou uma faca”, completou a delegada.
Como agia o suspeito

Os crimes atribuídos a Wellington tem como características comuns, o uso constante do capacete na prática do crime, o horário e local de pouca luminosidade, além das abordagens com um revólver. Detalhes que o próprio preso confessou em vídeo.
Segundo a delegada, em alguns casos ele anunciava um assalto, pegava o celular da vítima e a obrigava a subir na moto dele. Depois ia para um lugar mais afastado, sempre com o capacete, para não ser reconhecido, e cometia o abuso.
Além do mandado por estupro, Wellington foi preso em flagrante por receptação. Segundo a delegada, ele estava com uma moto roubada e também foi preso por uso de documento falso ao tentar se passar por outra pessoa.
DNA

A força-tarefa que resultou na prisão de Wellington, batizada de Impius, durou 45 dias e envolveu mais de 40 pessoas. Ela teve início após a Polícia Técnico-Científica encontrar o perfil genético dele em várias vítimas de estupros.
Seguindo a polícia, em 2015, foram coletados vestígios do criminoso em uma vítima e inseridos no banco genético. Em 2017, foi coletado novo vestígio de outra vítima e coincidiu com a amostra anterior.
No mesmo ano, de acordo com as investigações, apareceram outras quatro vítimas compatíveis ao material genético do suspeito. No final de 2018 já somavam nove mulheres, e isso chamou a atenção da Polícia Técnico-Científica, que avisou à Polícia Civil.
Histórico de crimes

Os crimes eram cometidos desde 2008. Segundo a polícia, em 2011, Wellington chegou a ser preso depois de violentar uma mulher e a filha dela, de apenas cinco meses. Na época, ele foi levado para o Mato Grosso porque lá respondia por outros crimes, como assaltos e assassinatos. Entre eles estava uma condenação a 57 anos de prisão pela morte de uma mulher e os dois filhos dela. Em 2013, ele conseguiu fugir da prisão e voltou pra Goiás.
Para não ser pego novamente, o estuprador, segundo a polícia, estrategicamente não tinha conta em banco, não usava redes sociais e ainda roubava identidades de pessoas que se pareciam com ele para usar os documentos e despistar a polícia.
Para a delegada, ele é um dos maiores maníacos do estado e sempre soube o que estava fazendo. “É um homem de altíssima periculosidade, de uma frieza que nos chama muito a atenção, comentou.

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