Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 20 de Julho de 2019

Internacional

Guatemala votou em clima de incerteza e ameaças

Expresso
Foto: Divulgação / Assessoria guatemalajfif.jpg

Mais de oito milhões de eleitores guatemaltecos foram chamados a votar este domingo em eleições presidenciais, municipais e legislativas. O ato eleitoral acontece depois de uma campanha marcada pelo afastamento de uma figura da luta contra a corrupção e por ameaças de morte, relata a emissora France 24.
Um total de 19 candidatos concorre à sucessão do Presidente Jimmy Morales, mas nenhum deles terá ultrapassado 50% dos votos, pelo que os dois mais votados deverão disputar uma segunda volta a 11 de agosto.
ANTIGA JUÍZA AFASTADA DA CONTENDA E AMEAÇADA DE MORTE
A ex-procuradora-geral Thelma Aldana, antiga juíza destacada no combate à corrupção, viu a sua candidatura anulada pelo Tribunal Constitucional no início de abril, devido a alegadas apropriações indevidas de dinheiro público, entre 2014 e 2018, enquanto esteve à frente da Procuradoria-Geral da República. Ameaçada de morte, a ex-magistrada refugiou-se no vizinho El Salvador antes de fugir para os EUA.
Segundo a Aliança para as Reformas, que reúne cerca de 40 organizações da sociedade civil, a exclusão de Aldana foi decidida “claramente em retaliação pelas investigações de corrupção que levou a cabo contra o Presidente [Jimmy Morales], a sua família e membros do seu partido político”.
Também o procurador do tribunal eleitoral Oscar Schaad abandonou o país para “garantir a sua segurança e a da sua família”, na sequência de “ameaças precisas”, escassos quatro dias antes do escrutínio.
COMISSÃO DA ONU CONTRA A IMPUNIDADE: ALVO A ABATER?
Eleito em 2015, o antigo comediante Jimmy Morales prometera, durante a campanha, acabar com os escândalos de corrupção que tinham determinado um fim prematuro para a presidência do seu antecessor, Otto Pérez Molina. Morales comprometera-se a renovar até 2021 o mandato da Comissão das Nações Unidas contra a Impunidade na Guatemala (CICIG, no acrónimo em espanhol).
No entanto, no início deste ano, o Governo fez um ultimato à comissão para abandonar o país. A ministra dos Negócios Estrangeiros, Sandra Jovel, disse que Jimmy Morales continuaria a sua luta contra a corrupção, mas que houvera um mal-entendido sobre as investigações da comissão ao chefe de Estado. O Presidente começou por apoiar a comissão da ONU, cujo mandato já ajudou a levar à justiça dezenas de altos funcionários e executivos. Contudo, quando se tornou, ele próprio, alvo das investigações, o Presidente anunciou que iria rever o mandato da comissão.
Apenas alguns candidatos se declaram a favor da manutenção da missão da CICIG, mas nenhum deles terá hipóteses de ganhar as eleições, sublinha a emissora francesa.
CANDIDATA DE CENTRO-ESQUERDA À FRENTE NAS SONDAGENS
As últimas sondagens colocavam à frente Sandra Torres, ex-mulher do antigo chefe de Estado Álvaro Colom, de quem se divorciou em 2011, ainda durante a presidência daquele, para poder concorrer às eleições presidenciais. Torres, candidata da Unidade Nacional da Esperança (de centro-esquerda), é seguida na segunda posição por Alejandro Giammattei (de direita) ou por Roberto Arzú, conforme as sondagens.
Mais de metade (59%) da população da Guatemala vive na pobreza, apesar de a economia do país estar em expansão, tendo registado, no ano passado, um crescimento do PIB de 3,1%. Fugindo da pobreza e da violência de gangues, todos os anos milhares de guatemaltecos atravessam o México em direção aos EUA.

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