Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 17 de Outubro de 2019

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Grito do Ipiranga - Por: Geraldo Ramon Pereira

Redação TerereNews
Foto: GERALDO RAMON PEREIRA GERALDO RAMON PEREIRA

Brado que ainda ecoa reclamando pela real independência dos brasileiros.

    Independência significa liberdade, ou seja, “situação de uma coletividade dotada, no território onde vive, de órgãos não subordinados aos órgãos de outra coletividade” - (Grande Enciclopédia Larousse Cultural)). Juridicamente, a independência política exprime-se pela soberania interna e internacional do Estado. Em outras palavras, ser independente significa, para um país, não se submeter a outras autoridades e governar-se pelas próprias leis.
    Adaptemos agora os conceitos de independência ou liberdade para o caso do Brasil. De fato, tivemos nossa independência político-administrativa proclamada historicamente no dia 7 de setembro de 1822, mediante o célebre GRITO DO IPIRANGA, bradado por D. Pedro I, cujo ato desligou-nos oficialmente do Império Colonial Português, sendo constituída, então, uma monarquia institucional.
    Como os processos que culminaram com a Independência não foram precedidos por guerras que favorecessem a dispersão da autoridade e do poder, fora aí plantada a semente da nossa sagrada “unidade nacional”, que se traduz inclusive pela não fragmentação do nosso território. Tal condição exigiu, no entanto, esforços de centralização político-administrativa e repressão aos movimentos separatistas ou antimonarquistas. Vale lembrar que, neste aspecto, fomos mais felizes que as outras colônias da América Latina, cujas independências, sangradas em lutas internas, iam pulverizando os seus territórios entre os inúmeros caudilhos locais, sediados em terras próprias.
    De positivo, ainda, reportemo-nos ao espírito de aventura e intrépida coragem de muitos brasileiros que, com a descompressão do jugo português, e mesmo contrariando tratados divisórios internacionais, atiraram-se à conquista de novas terras, alargando em muito as nossas fronteiras, preservando-se, porém, a centralização da soberania nacional. Saiba o leitor que estou me referindo, em especial, aos Bandeirantes e, de maneira particular, aos anônimos heróis desbravadores dos nossos sertões e semeadores de povoações, como o foi o nosso destemido José Antônio Pereira.
    Pois bem, a independência está proclamada, o país cresceu territorial, institucional e economicamente, a unidade político-administrativa está preservada... Contudo, podemos gritar aos quatro ventos que somos cidadãos realmente livres? Temos, por acaso, liberdade de trafegar tranqüilamente pelas nossas ruas? Podemos estabelecer, sem pedir licença aos ianques, um “salário mínimo” decente e digno?... Somos, enfim, desatrelados ao imperialismo econômico , e até político, imposto pelos chamados países do primeiro mundo?... 
    O grau de independência de uma nação manifesta-se pela liberdade individual e coletiva de sua gente. Por exemplo, a liberdade de ir e vir: para nós ela só existe, de fato, nos termos da Constituição, pois, via de regra, os precários meios de transporte do brasileiro comum, associados à insegurança pessoal que o cerca, transformam sua vida em pavoroso caos, que o aprisiona nos próprios movimentos. Outro exemplo: a liberdade instintiva de preservação do indivíduo, que se caracteriza, antes de mais nada, pela ingestão adequada de alimentos – significativa parcela da nossa população, entretanto, sobrevive sob o jugo da fome; não possui a proteção de um teto, nem como se proteger do calor ou do frio; tampouco tem pronta assistência médica, nem condições mínimas de higiene; não tem, enfim, liberdade de viver como pessoa humana, o que seria apenas cumprir uma lei psico-biológica da espécie, divina e universal. 
   Que independência é essa em que os cidadãos são escravos de um esquema de governo em que grassa o desmando, a incompetência, o protecionismo interesseiro, o descaso para com os menos favorecidos?... Onde está a liberdade pessoal (célula mater da independência coletiva), se cada um de nós vive prisioneiro do medo, da insegurança, a sangrar nas garras de autoridades corruptas, de esquemas que visam tão somente saquear o erário público e, indiretamente, o já empobrecido bolso do sugado povo?
    Meus nobres conterrâneos, já investidos de autoridade e do poder ou candidatos a eles... Ouçam! Não basta o Grito de Dom Pedro I!... É preciso que, em nossas funções, sejamos sempre honestos, imparciais, conscientes, que cumpramos, enfim, com nossas obrigações e deveres cívicos de bom patriota; que nos envolvamos com nossa bandeira, que nos preocupemos, de fato, com os menos favorecidos... Sigam os exemplos dos que assim se comportam! Em vez de ao bolso de amigos ou a bancos estrangeiros, que nosso dinheiro seja destinado ao bem estar dos nossos irmãos, que são de carne e osso como nós e que também merecem ver suas famílias felizes, equilibradas no tripé saúde-educação-moradia.
    Somente assim, com honestidade, melhor distribuição de rendas, direitos e deveres, haveremos de conseguir o tão sonhado bem estar da nossa gente, que gozará da plena liberdade de viver e amar... Somente assim poderemos nos considerar, de fato, uma enorme nação independente, com um povo deveras livre e feliz. 
    “Independência ou Morte!”... Preferimos a Independência!

Foto: O Preogresso

GERALDO RAMON PEREIRA,
poeta/escritor membro titular da Cadeira 39 
   da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

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