Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 19 de Outubro de 2019

Saúde

Doação de órgão: da perda familiar ao renascimento de outra pessoa

Governo do Estado do Mato Grosso do Sul
Foto: Governo do Estado do Mato Grosso do Sul Doação de órgão

Mês que força as pessoas a pensarem com mais empatia diante dos problemas alheios, tenta conscientizar da importância de tornar uma perda familiar no renascimento de outra pessoa

“Daqui um mês já estarei enxergando tudo, se Deus quiser”, disse João Delacruz Davallos Zevalho, que veio de Bela Vista para Campo Grande e recebeu uma córnea. A cirurgia foi feita no Hospital São Julião há uma semana e ele já comemora sua vitória quando diz que já começa a enxergar vultos.

Setembro, mês de conscientização sobre a importância da doação de órgãos. A Campanha Setembro Verde tenta fazer com as pessoas tenham mais empatia num momento de perda familiar. O que se espera: transformar a perda no renascimento de outra pessoa.  

Aos 63 anos de idade não teve nenhum problema com a cirurgia. “Tudo correu muito bem”, declara. Demonstrando confiança e muita alegria, ele agradeceu imensamente o programa do Governo do Estado que possibilita o que ele chama de “benção”, sem gastar um único centavo. Na fila do transplante há menos de um ano, a indicação do transplante foi devido à gravidade do Glaucoma, doença que foi diagnóstica há 15 anos e lhe tirou pouco a pouco a visão. Há um ano ele ficou totalmente cego. Infelizmente o transplante só foi possível em um dos olhos, já que o outro estava sem o nervo ótico., o que impossibilitaria o procedimento. Mesmo com apenas uma visão ele está otimista. “Daqui um mês já estarei enxergando tudo, se Deus quiser”, comemora.

João Honório, 56 anos, recebeu um rim há dois anos e seis meses e afirmou que sua vida mudou completamente e incentivou que as pessoas nunca parem de sonhar e agradeçam sempre aos doadores. “O transplante não é uma cura definitiva, mas é uma qualidade de vida. Esse gesto restaurou minha vida e meus sonhos. E devemos sonhar com um futuro melhor e com mais possibilidades”, disse.

Maria da Glória Fonseca, falou em nome de uma família que aceitou doar os órgãos de um menino de 11, depois do diagnóstico de morte cerebral em 2013. “É difícil falar de doação de órgãos sem falar em perda. Mas a sensibilidade e a empatia dos profissionais fazem a diferença na hora da escolha. São histórias de amor, de doação e de desprendimento. E meu comprometimento com essa causa é com a vida e por mais vidas salvas”, enfatizou.

O processo de captação e doação no MS

 A doação de órgãos e sua destinação para transplantes é coordenada em Mato Grosso do Sul pela Central Estadual de Transplantes, que é responsável pela captação e distribuição de órgãos em todo o Estado, por meio da Central Nacional de Capitação de Doação de Órgãos das unidades de atendimento listadas no arquivo.

Há dois tipos de doadores de órgãos, o doador cadáver e o doador vivo. É importante comunicar à família o desejo de ser doador, não é necessário deixar nada por escrito. Podem ser doados os seguintes órgãos: córneas, coração, pulmões, rins, fígado, tecidos e ossos.

O doador vivo é qualquer pessoa saudável que concorde com a doação, sem comprometimento de sua saúde e aptidões vitais. Por lei, podem ser cônjuges e parentes até o quarto grau. Não parentes do paciente, somente com autorização judicial. Os doadores vivos podem doar um dos rins, a medula óssea, uma parte do fígado, uma parte do pulmão e uma parte do pâncreas. O potencial doador vivo também deve ser encaminhado a um Centro Transplantador, para que se verifique as possibilidades do transplante.

A retirada de tecidos, órgãos de doador cadáver para transplantes depende da autorização do cônjuge ou parentes até o segundo grau, que são consultados somente após o diagnóstico de morte encefálica (parada total e irreversível do cérebro, atestado por diversos exames).

Os hospitais que realizam transplantes pelo SUS: Santa Casa (rins, coração e córnea); CASSEMS (coração) e São Julião (córneas). Hospitais de Dourados e Três Lagoas também estão aptos para o procedimento. Mesmo que o paciente utilize ou sistema de convênio ou particular, é a Central que gerencia a doação de órgãos.

A Central Estadual de Transplantes funciona 24 horas todos os dias da semana, através do telefone 33121400.

Theresa Hilcar – Subsecretaria de Comunicação – Subcom

Foto: Saul Schramm

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