Campo Grande/MS, 19 de Setembro de 2018

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Dia delas: 'mãe é tudo igual'

Redação TerereNews
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Três mães contam o difícil momento de se separarem dos filhos em diferentes fases da vida deles.


Por Dyego Queiroz e Juliene Katayama, G1 MS

o diz o ditado: “mãe é tudo igual, só muda de endereço”. Essas palavras caem como uma luva, principalmente, quando o assunto é separação dos filhos. Não importa a idade dos filhos, para as mães serão sempre crianças. O G1 conta três histórias de mães que se separaram da cria em diferentes fases da vida dela: fim da licença maternidade, quando o filho vai estudar fora e quando chega o casamento.

A jornalista Christiane Mesquita de Almeida, 40 anos, curte a pequena Anne há 10 meses. Mas quando terminou a licença maternidade aos seis meses, a angústia de deixar o bebê tão frágil na creche para trabalhar era grande.
“Os últimos dias de licença foram difíceis, acostumada a lidar com ela o dia inteiro, saber que ia ficar uma boa parte do dia trabalhando, fora de casa, longe dela, o que me deixou um pouco apreensiva. O fato de ela ir para a creche tão nova também me preocupava e ao mesmo tempo era um alívio pois ao menos tinha uma creche para ela ficar”, disse Christiane.
Com o tempo a preocupação e apreensão foram diminuindo. Além disso, a “mãe coruja” viu que a filha estava se acostumando com o ambiente da creche. Christiane conta que as professoras fazem muitos elogios a Anne.
“O comportamento dela não modificou por eu estar longe dela, ao contrário, fortaleceu ainda mais o carinho que temos uma pela outra, até porque ela é amada por toda a família, com muito carinho envolvido do pai, avó e tias que a circundam. Hoje ela é a alegria e luz da casa”, afirmou.

Ingrid e Breno sempre que podem se encontram, mesmo que seja por poucos dias (Foto: Ismar Mortensen/Arquivo Pessoal)

Dez meses ou 25 anos, a preocupação e a saudade da mãe são iguais quando o filho fica longe. A produtora rural Ingrid Platzeck Mortensen reclama da casa vazia há um ano e meio, desde quando o filho recém-formado em medicina decidiu encarar a cidade de São Paulo para se especializar em nutrologia. E essa é a segunda vez que o jovem vai morar fora.
“E a mesma coisa [da primeira vez], a casa ficou vazia, ficou sem ninguém e depois com o tempo foi se acostumando”, disse a mãe.
Quando passou no vestibular, Breno Platzeck Mortensen tinha 17 anos e foi morar em Presidente Prudente (SP), distante 51 quilômetros da cidade onde os pais moravam na época. Alguns anos depois, Ingrid e Ismar Mortensen foram morar na mesma cidade do filho.
“Depois a gente foi atrás dele. Foi difícil porque ele já tinha a liberdade dele, demorou uns 6 meses para ele voltar para casa. O curso foi pesado e tinha a casa e a comida para se preocupar. Aí foi trazendo os colegas para frequentar a casa e todo mundo foi gostando, ele fazia as festas porque o Breno é festeiro”, contou Ingrid.
A faculdade do filho terminou e o casal decidiu se mudar para a capital sul-mato-grossense para ficar mais perto da propriedade da família. Ao mesmo tempo, Breno foi para a capital paulista.
“Quando ele se formou, ficou tudo bagunçado minha cabeça porque fiquei sem movimento na casa. Sinto falta dele e dos colegas. Procuro viajar para não sentir tanto, é mais fácil”, disse Ingrid.
Mesmo com a tecnologia que ajuda na comunicação quase diária com o filho, a produtora rural faz questão de visita-lo todos os meses. “A gente procura passar uns dias com ele, pelo menos uma vez por mês e passa uns dias. Eu não gosto de São Paulo. A gente também procura viajar juntos”, afirmou Ingrid.
Se sair de casa para estudar é difícil para a mãe, para casar, a sensação de vazio é maior. Neste ano vai ser o primeiro Dia das Mães que Rosa Maria de Oliveira Freitas vai passar sem o filho em casa. Depois de 29 anos, três meses e vinte e 16 dias o veterinário Diógenes Freitas vai estar na casa dele com a mulher vivendo uma vida de recém-casados.
"É um momento de transição. É um ninho vazio. Diógenes é aquele menino meigo, que chega comigo todo dia, me dá um beijo e depois vai dormir. Se está na rua fala onde está, com quem está, que horas vai chegar. Vai ser difícil ficar sem ele. Como ele não é o primeiro a sair de casa - já que o meu outro filho também se casou - mas é o último, dói muito a separação. Minha casa vai ficar um mausoléu. Uma casa grande para mim e meu marido", contou a funcionária pública.
Apesar de ter um bom relacionamento com a nora Adriana e a família dela, Rosa Maria conta que foi preciso se preparar psicologicamente para encarar a separação, mesmo sabendo que pode encontrar o filho quando quiser, já que eles continuam morando na mesma cidade.
"Os dois namoraram por muito tempo. Se eu não me engano foram oito ou nove anos. Durante esse tempo eu me preparei. A gente já compartilhava ele. Não vou sentir muito em fazer isso agora. Eu sei que não perdi o meu filho. Eu penso que ganhei uma filha. Como diz a minha mãe: a gente cria o filho para outra pessoa. O lar dele agora e a família, a esposa e os netos que virão. Eu sou parente e mãe. E mãe não perde o seu lugar. Então, vamos sempre estar juntos", disse.

Dizem que mãe é mais ligado ao filho homem do que à filha mulher. Mas a dona de casa Mariney Eudosciak Souza Luz, 48 anos, diz que não é bem assim que são as coisas. A filha dela casou há duas semanas e o sentimento do "ninho vazio" é muito forte para quem sempre teve a cria "embaixo das asas".
"Ficaram noivos em 2015 e marcaram o casamento para final de abril [deste ano]. Seja careca ou não, a mãe vai estar no altar com você. Essa última fase eu não pude participar tanto", disse Mariney que enfrenta tratamento contra câncer de mama.

Apesar de no último ano não ter participado da vida da filha como gostaria, Mariney se lembras das semanas que antecederam o casamento com muito carinho. "Juntou tudo, eu estava terminado a faculdade, teve formatura e o casamento dela. Mas as últimas semanas nós tivemos momentos prazerosos. Ela pediu para eu e o pai entrarmos com ela até o altar para me homenagear pelo ano que passei", disse.

No dia seguinte ao casamento de Estefany Eudosciak Souza Luz, 25 anos, Mariney teve de viajar a Barretos (SP) para continuar o tratamento. Ela ainda não conversou com a filha depois do casamento.
"É difícil, o quarto dela está aqui do mesmo jeito. Outro dia comprei banana e liguei para ela e falei: 'lembrei de você'. Porque ela adora banana. Sinto falta, apesar de morar na mesma cidade", afirmou Mariney.

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