Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 22 de Agosto de 2019

Economia e Negócios

Com inflação mais baixa, cresce pressão para que o BC reduza juros

Correio Braziliense
Foto: Divulgação / Assessoria jurosjpg.jpg

 
A inflação baixa aumenta a pressão para que o Banco Central (BC) reduza os juros, embora a  autoridade monetária venha sinalizando que não deve, por enquanto, cortar a taxa básica, a Selic. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu os analistas e registrou alta de apenas 0,13%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor variação para o mês em 13 anos, desde o 0,10% de maio de 2006.
Diversos fatores explicam o índice fraco, avaliam economistas. A inflação controlada retrata o baixo nível de atividade econômica no país. O desemprego, que atinge mais de 13 milhões de pessoas, e o desalento de outras 4,9 milhões indicam que a situação financeira das famílias é precária. Não à toa, o consumo tem avançado em nível muito aquém do esperado para aquecer a economia.
No mês passado, além da atividade fraca, a queda do preço dos alimentos foi decisiva para derrubar a inflação. O item alimentação, que têm peso de 25% no IPCA, recuou 0,56%. Com orçamento apertado, porém, muitos consumidores não percebem os menores custos, como a professora Sandra Martins, 53 anos. Ela costuma ir ao supermercado toda semana e acha que a comida tem ficado cada vez mais cara. “Os legumes principalmente”, disse. “Eu me alimento, basicamente, de verduras, e está gritante. Venho comprando menos, já que não tenho como substituir. Só vejo as coisas aumentando e meu salário, diminuindo”, queixou-se.Continua depois da publicidade
O engenheiro de telecomunicações Tiago Rodrigues, 39 anos, também reclama. “Os alimentos que mais sinto pesando no bolso são frutas e verduras. Quando me deparo com isso, prefiro não levar, mas fico de olho, porque sei que, uma hora, baixa”, disse.
Projeções
Uma alternativa para aquecer a economia seria a redução dos juros. A Selic está, atualmente, em 6,5% ao ano, o menor patamar da história. “Desde o início do ano, a economia está fraca, e as projeções de crescimento estão caindo. O Banco Central teria que reduzir a taxa. O impacto é limitado, porque ainda é preciso motivos para dar ânimo aos investimentos, e isso só muda se aprovando a reforma da Previdência. Mas, se não haverá impacto inflacionário, porque manter os juros em 6,5%, e não em nível menor?”, questionou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Carlos Thadeu.
O analista entende que a redução não levaria a inflação para fora de controle, já que a quase totalidade das estimativas dos economistas aponta que o índice de preços ficará em níveis moderados nos próximos anos. De acordo com o relatório Focus, divulgado semanalmente pelo BC, o IPCA ficará em 4,03% neste ano,  4% em 2020, e cairá para 3,75% em 2021.
Mas o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizou em diversas ocasiões que entende não ser possível reduzir os juros enquanto a situação das contas públicas não melhorar. A aprovação da reforma da Previdência é imprescindível para evitar a expansão dos gastos e, consequentemente, do deficit nas contas do governo federal.
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá nos próximos dias 18 e 19 para definir a taxa Selic dos 45 dias seguintes. O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, diz que a possibilidade de redução é “zero”. “O BC tem enfatizado a necessidade de confirmação da reforma para que o risco seja minimizado. Há espaço para reduções, mas há risco de que a reforma seja excessivamente diluída, impactando a percepção dos agentes e as expectativas de inflação”, afirmou.
Custo da construção desacelera
Os aumentos mais brandos nos custos da mão de obra e de materiais de construção desaceleraram a inflação do setor no Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna (IGP-DI), que ficou em 0,40% em maio,  informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,03%, ante um avanço de 0,38% no mês anterior. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços aumentou 0,06% em maio, ante uma alta de 0,58% em abril. Já o índice que representa o custo da mão de obra teve elevação de apenas 0,01% em maio, ante um aumento de 0,20% no mês anterior.
* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo 
 

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