Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 24 de Agosto de 2019

Variedades

Cinco mulheres tocam um som sujo e pesado na banda Nasty

Correio Braziliense
Foto: Divulgação / Assessoria cincojpg.jpg

Formada há menos de um ano por cinco mulheres entre 20 e 30 anos, a banda Nasty desafia os paradigmas de gênero e vem mostrando a cara (com maquiagem bowiana) na cena roqueira do Distrito Federal. O rock é tido como uma música suja e rápida, com forte teor de confrontação às convenções sociais. Neste sentido, a banda Nasty, que iniciou suas atividades no carnaval deste ano, faz jus à descrição pelo simples fato de ser formada por cinco garotas que mandam rocks clássicos e modernos, com alta perícia em seus instrumentos. O objetivo é claro: “A gente queria mostrar esse empoderamento feminino. Mulheres tocam tão bem quanto os homens”, destaca Olivia Laquis, baterista da banda.
As meninas começaram a ensaiar, efetivamente, em agosto de 2018, depois de alguns meses tentando fixar uma formação e alinhar as integrantes da banda. À frente do processo, a vocalista Michelle Fioravante. “Comecei a fazer aula de canto e pensei em criar uma banda para praticar mais. Tive outros projetos, mistos, sempre com pelo menos mais uma mulher, até que um dia botei na cabeça que ia fazer um projeto só com mulheres. Era o meu sonho”, conta Michelle.
O trabalho de recrutamento das demais músicas não foi muito fácil, mas deu certo. Michelle havia tocado com Clarissa Azevedo, em um cover da banda Paramore, e ela topou se unir à empreitada. Depois, saiu pedindo indicações, até encontrar a baterista Olívia e a guitarrista solo Letícia Neto. A baixista, Brenda, elas conheceram ao assistir o show da banda Venture, de um amigo, na qual ela tocava. Estava completa a formação.
Em agosto, começaram a ensaiar no Estúdio London e, no carnaval, fizeram a primeira apresentação, no carnarock do Poizé. Neste primeiro show, por acaso, surgiu o visual marcante da banda: “Como era carnaval, a gente brincou: 'Vamos botar um glitter?'. Ficou muito legal e virou uma marca nossa”, explica Olívia. De cara, surgiram vários convites, e banda se apresentou em casas como o Toinha, Galpão 17, Saloon Red Rock, Zepelim e no Brasília Capital Moto Week.
Cover
Como estratégia artística, as roqueiras decidiram começar fazendo covers, em vez de investir em um som autoral logo de cara. “A gente começou com cover para aparecer na cena musical da cidade, para nos conhecerem e mostrarmos que conseguimos tocar. É possível ter uma banda só de mulheres e ser incrível”, argumenta a baterista. 
Outros fatores influenciaram a decisão: “A gente queria se entrosar, além do mais, acaba sendo mais fácil conseguir tocar nos pubs”, explica. No repertório, estão presentes clássicos de bandas antigas como Yes, Heart e Aerosmith, e de grupos mais novos como Rage Against The Machine e Paramore. Como diferencial, as musicistas gostam também de fazer versões roqueiras para músicas pop de artistas como Lady Gaga e Katy Perry. No início, havia muitas divergências em relação à escolha das músicas, então elas bolaram um sistema: uma planilha colaborativa, no Excel, onde cada uma insere sua sugestão e as mais votadas entram.
*Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira 
 Devana Babu*
 

Deixe seu Comentário