Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 19 de Agosto de 2019

Nacional

Brasília faz 59 anos com forte desigualdade e dependência da máquina pública

Poder 360
Foto: aventureiros do ciclismo Brasília é a capital do País

Brasília completa 59 anos neste domingo (21.abr.2019) com uma população de quase 3 milhões de pessoas e 1 cenário marcado por forte desigualdade social e dependência econômica da máquina pública.

Em 2018, o rendimento domiciliar per capita no Distrito Federal foi de R$ 2,5 mil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi o maior valor registrado em uma unidade da Federação, com ampla margem para o 2º colocado, São Paulo (R$ 1,9 mil).

O recorte por regiões, no entanto, mostra uma forte discrepância social e econômica dentro da capital federal.

A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, feita pela Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal), divide o DF em 4 regiões. Na área de maior renda (grupo 1), o rendimento domiciliar médio no ano passado foi de R$ 15.614. Já na de renda baixa (grupo 4), o valor foi de apenas R$ 2.465. Eis a divisão:

Grupo 1 (alta renda): Plano Piloto, Jardim Botânico, Lago Norte, Lago Sul, Park Way e Sudoeste/Octogonal.

População: 401.508 pessoas;

renda domiciliar média: R$ 15.614.

Grupo 2 (média-alta renda): Águas Claras, Candangolândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Sobradinho II, Taguatinga e Vicente Pires.

População: 922.213 pessoas;

renda domiciliar média: R$ 7.253.

Grupo 3 (média-baixa renda): Brazlândia, Ceilândia, Planaltina, Riacho Fundo, Riacho Fundo II, SIA, Samambaia, Santa Maria e São Sebastião.

População: 1.263.766 pessoas;

renda domiciliar média: R$ 3.106.

Grupo 4 (baixa renda): Fercal, Itapoã, Paranoá, Recanto das Emas, SCIA/Estrutural e Varjão.

População: 307.466 pessoas;

renda domiciliar média: R$ 2.465.

A desigualdade no DF

Segundo a Codeplan, 47,4% dos moradores da capital federal se declaram como pardos. Na sequência, vêm brancos (41,1%), pretos (10%), amarelos (1,2%) e indígenas (0,3%).

No grupo de alta renda, há uma predominância de brancos (65,8%). Já no de baixa renda, a população é majoritariamente parda (55,9%).

Escolaridade

Em relação à distribuição escolar, quase metade da população de 4 a 24 anos do DF está matriculada em escolas públicas.

No grupo de alta renda, 52,8% frequentam escolas privadas e 26,9%, colégios públicos. Já entre a população de baixa renda, 60,4% vão a escolas públicas e 8,8% a particulares. Há ainda uma pequena parcela nessa faixa que nunca frequentou instituições de ensino (1,7%).

No grupo que abarca o Plano Piloto, 66,8% das pessoas vão de casa para a escola de carro. Já no grupo de baixa renda, esse percentual cai para 9%. Nessa parcela da população, 38,3% vão a pé e 32,3% de ônibus.

Ao todo, 34,8% das pessoas da capital têm ensino superior completo. No grupo de alta renda, esse percentual é de 76,8%. Já no grupo mais pobre, é de apenas 9,9%.

Plano de saúde

Do total de moradores, 35,9% têm plano de saúde. No grupo de número 1, o percentual de pessoas sem assistência privada é de apenas 18,1%. Esse percentual sobe para 86,6% entre os moradores de baixa renda.

O peso do funcionalismo

Dados do Cadastro Central de Empresas, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que, em 2016, eram 450 mil trabalhadores empregados na área de administração pública, defesa e seguridade social no DF. O número corresponde a cerca de 1/3 da população empregada.

Os números de remuneração desse grupo também evidenciam uma disparidade. Enquanto o rendimento médio por trabalhador do DF era de R$ 4,7 mil, entre os servidores esse valor era bem maior: de R$ 7,1 mil.

Relatório da Codeplan mostra ainda que, em 2015, a administração pública representava 44,7% do PIB (Produto Interno Bruto) do DF. Naquele momento, a agropecuária representava 0,3% do PIB, a indústria, 5,4%, e os serviços (setor no qual está incluído o funcionalismo), 94,3%.

Do total de pessoas empregadas na capital, 41,2% exercem seu trabalho principal no Plano Piloto. A 2ª posição é ocupada por Taguatinga, com participação de apenas 8,2%.

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