Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 20 de Outubro de 2019

Internacional

Brasil. Polícia do Rio mata quase 50% mais

Expresso - Portugal
Foto: Divulgação / Assessoria aajpg.jpg

Entre janeiro e junho deste ano, o número de mortos nas ruas do Rio de Janeiro provocados pela violência policial aumentou 46%, comparativamente ao período homólogo. Segundo apurou o Observatório de Segurança da Universidade Cândido Mendes, no primeiro semestre do ano passado foram registadas 82 mortes por ação de agentes de segurança, enquanto este ano o número disparou para 120.
“Sob o comando do governo de [Wilson] Witzel [governador do Rio de Janeiro desde 1 de janeiro de 2019], as operações policiais mudaram de padrão”, diz Pablo Nunes, investigador do Observatório. “São mais frequentes e mais letais. As populações das comunidades vivem cada vez mais aterrorizadas.”
Segundo o estudo divulgado na terça-feira — com base numa análise a 568 operações policiais e 580 ações de patrulhamento (na cidade e na região metropolitana) —, estas operações são bastante mais frequentes do que quando o Rio de Janeiro estava sob controlo das forças armadas (entre fevereiro e dezembro de 2018).
“Os números refletem uma política pública de combate”, diz o Observatório. “Afinal de contas, foram 1148 operações policiais e patrulhamentos somente de janeiro até junho, o que representa mais de seis ações a cada dia.”
QUANDO A BALA ATINGE DESDE O AR
Igualmente, popularizou-se o uso de helicópteros blindados (os chamados “caveirão voadores”) como plataforma de tiro. Este ano, isso aconteceu por 34 vezes.
Recentemente, referindo-se ao crime na favela Cidade de Deus, Wilson Witzel disse num evento público: “A nossa polícia militar não quer matar, mas não podemos permitir cenas como aquela que nós vimos na Cidade de Deus. Se fosse com autorização da ONU, noutros lugares do mundo, nós teríamos autorização para mandar um míssil naquele local e explodir aquelas pessoas”.
Para o investigador Pablo Nunes, no Rio o combate ao crime faz-se de forma descoordenada o que, além de ser ineficaz, impõe uma rotina de terror às populações. “Não se pode dizer que exista uma política de segurança pública de facto”, diz. “Numa política pública tem de haver objetivos e metas, e indicadores que possam ser monitorizados. Não temos nada disso. O governo do estado deu liberdade a cada uma das polícias [militar e civil] para traçarem as metas que bem entenderem e persegui-las como acharem melhor. Isso não tem sido bom para o Rio.”
MARGARIDA MOTA
 

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