Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 16 de Setembro de 2019

Meio ambiente e sustentabilidade

Brasil, o país que melhor cuida do meio ambiente no mundo

Ricardo Accioly Calderari
Foto: Embrapa Paraá Floresta Amazônica

Recentemente, participei em Lille, na França, da Conferência Mundial promovida pela Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS), representando a diretoria da cooperativa Coamo Agroindustrial. 

A Conferência Mundial recebeu dezenas de autoridades de mais de 40 países dos cinco continentes, ligadas à cadeia produtiva da soja e discutiu várias questões referente à produção e fornecimento, incluindo também o papel dos governos e os riscos sociais.

Esta foi a primeira vez que o setor produtivo brasileiro esteve no evento, representado por seis cooperativas agrícolas – das quais cinco do Estado do Paraná- que, juntas produzem 11% da produção brasileira de soja.

Entendo ter sido muito importante a participação do nosso setor produtivo, haja visto a oportunidade para rebater várias críticas feitas ao Brasil no tocante à produção agrícola e ao meio ambiente.

Mostramos ao mundo que o Brasil não é o que eles pensam. Escutamos críticas de estrangeiros, de ONG´s  e até mesmo de brasileiros, de pessoas mal-intencionadas que, com suas ideologias, retrataram um país que não cuida do meio ambiente, de terras estéreis e de agricultores que não usam tecnologia e estão empobrecendo, o que não é verdade.

Mostramos ao mundo a verdadeira situação do nosso país, cenário bem diferente do apresentado por essas pessoas mal-intencionadas.

Provamos que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente e vem aumentado a sua produção exatamente por contar com agricultores tecnificados e empreendedores, preocupados com a natureza.

Muitos países produtores de soja estão, na verdade, assustados é com o crescimento agrícola do Brasil e fazem de tudo para complicar e rebaixar a agricultura brasileira. Mas, aAo contrário do que eles tentam dizer, nós provamos que produzimos bem com responsabilidade e sustentabilidade.

Indagamos no evento se os representantes de outros países tinham o CAR [Cadastro Ambiental Rural] – que é um registro eletrônico e obrigatório para todos os imóveis rurais, que integra as informações ambientais das áreas de preservação permanente, áreas de Reserva Legal, de florestas,  vegetação nativa, e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país-... ninguém tinha, por isso ficaram mudos.

Informamos também, na oportunidade, que no Sul do Brasil 20% da área de uma propriedade rural é destinada para reserva legal - no Cerrado esse número sobe para 35% e na Amazônia é de 80% - e o agricultor não tem nenhuma remuneração por isso.

Trata-se de uma situação bem diferente do que vimos por exemplo, na Alemanha, onde 100 m² de pousio é subsidiado pelo valor de 6.000 euros, equivalente a cerca de R$ 25 mil. Diante da posição brasileira eles novamente ficaram silenciosos, haja visto que somente 7,3% da área brasileira é utilizada para uso da agricultura e o restante é ocupado com rios, matas, florestas e parques, enquanto que eles não têm mais área para plantio.

Destacamos na Conferência Mundial de Soja Sustentável a prática adotada pelos agricultores brasileiros do sistema de Plantio Direto, que foi a revolução da nossa agricultura, e a devolução e destinação correta das embalagens vazias de defensivos agrícolas, onde o Brasil se destaca ao retirar do campo milhares de embalagens que poderiam prejudicar o meio ambiente.

Portanto, quando vemos notícias que tentam desacreditar a agricultura brasileira, suspeitamos que alguma coisa está por trás dessa campanha orquestrada. Certamente há outros interesses.

Tivemos um grande orgulho em mostrar na França para o mundo que o agricultor brasileiro faz e muito bem a lição de casa, que o nosso país é o que melhor cuida do meio ambiente no mundo.

Diante dessa afirmação, eles ficaram em silêncio.



Autor e Fonte:

Ricardo Accioly Calderari, é engenheiro agrônomo, diretor-secretário da Coamo Agroindustrial Cooperativa, e um dos precursores do Plantio Direto na região de Campo Mourão, segunda cidade no Brasil a implantar esta importante tecnologia na safra 1973/74.

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