Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 19 de Junho de 2019

Internacional

Boris Johnson ameaça não pagar fatura do Brexit para forçar acordo

Expresso
Foto: Divulgação / Assessoria borisjpg.jpg


Depois de Donald Trump ter recomendado a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo e o pagamento da fatura do divórcio, Boris Johnson ameaça atrasar esse pagamento.
Numa entrevista publicada este domingo no jornal “Sunday Times”, o antigo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros prometeu suspender o pagamento de divórcio no valor de cerca de 40 mil milhões de euros (39 mil milhões de libras) caso suceda a Theresa May na liderança do Partido Conservador e em Downing Street. O objetivo é forçar o acordo.
“Aqueles 39 mil milhões de libras são nossos. Os nossos amigos e parceiros devem entender que o dinheiro será mantido até que tenhamos mais clareza sobre o caminho a tomar. Para um bom acordo, o dinheiro é um excelente solvente e um bom lubrificante”, afirmou Boris Johnson em entrevista ao jornal britânico.
Estas declarações surgem mais de uma semana depois de a
juíza Margot Coleman, do Tribunal dos Magistrados de Westminster, ter convocado Boris Johnson para depor por alegadamente ter “mentido e enganado a opinião pública” quando disse que saída do bloco representaria uma poupança de 350 milhões de libras por semana ao Sistema Nacional de Saúde britânico.
O antigo chefe da diplomacia britânica, que é apontado como o favorito à sucessão de May, disse ainda ao “Sunday Times” estar disposto a resolver a questão da fronteira com a Irlanda, que foi um entrave para o acordo. E deixou ainda um aviso: a sobrevivência do Partido Conservador está dependente do facto de o Reino Unido deixar a UE, com ou sem acordo, a 31 de outubro.
Por último, Johnson admitiu que já perdoou Michael Glove, o atual ministro britânico do Ambiente, devido a uma “traição durante a disputa da liderança do partido, em 2016, garantindo que lhe oferecia um lugar em Downing Street caso seja eleito líder do Partido Conservador.
O pagamento dos compromissos do Reino Unido no quadro do atual orçamento europeu plurianual (2014-2020), avaliado entre 35 a 39 mil milhões de libras (40 e 45 mil milhões de euros), foi acordado em novembro com a Comissão Europeia.
Na véspera de uma visita oficial ao Reino Unido, o Presidente norte-americano disse na semana passada que o sucessor da primeira-ministra britânica devia “bater com a porta” sem pagar a respetiva fatura do divórcio. “Não paguem a conta do Brexit a não ser que a UE recue. Se não conseguem obter o acordo que querem, eu abandonaria a mesa das negociações sem pagar a fatura do divórcio. Eu não pagaria os 50 mil milhões de dólares”, afirmou Trump, também em declarações ao jornal “Sunday Times”, frisando que não é ainda tarde para o Reino Unido seguir o seu conselho.
Donald Trump considerou também que as negociações da saída do Reino Unido da UE deviam incluir o Partido do Brexit, liderado pelo eurocético Nigel Farage, manifestando ainda o seu apoio a Boris Johson para suceder a Theresa May.
 

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