Campo Grande/MS, 18 de Agosto de 2018

Copa da Rússia 2018

A aventura em Moscou começou

Redação TerereNews
Foto: moscouuu moscouuu
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As estações de metrô são maravilhosas. Todas em mármore, mostrando a imponência dos russos. Tudo aqui lembra os czares

Moscou – Primavera, verão se aproximando? Nada disso. Temperaturas baixas durante o dia e menores ainda de madrugada. Na de ontem, 6 graus. Por isso os russos tiram a camisa e curtem o sol, quando ele aparece, com 20 graus. Leste europeu é assim. Fui fazer meu credenciamento ontem. Peguei um Uber e nem com o GPS o motorista achava. Mesmo jovem, não falava uma palavra em inglês. Era do Turquistão. Ouvindo AC/DC bem alto, entrei no clima, fingindo gostar de heavy metal. Meu filho mais velho, que é baterista, adora. Só identifiquei o grupo porque tocou uma música falando de inferno (hell). Depois de ruas desencontradas e mão e contramão, finalmente ele achou. Ficava em frente ao Estádio Luzhniki. Agradeci, e entrei no prédio do credenciamento. Em cinco minutos já estava com minha credencial no peito. Muito rápido e a garotada, voluntária, falando inglês fluente. Muito legal.

Aproveitei para gravar uns posts em frente ao palco da abertura e final da Copa. Quinta-feira, meu lugar está garantido na tribuna de imprensa. A Fifa já me confirmou. Rússia e Arábia Saudita farão o jogo de abertura. O da final, não sabemos, mas algo me diz que teremos Argentina e Alemanha outra vez. Vou torcer para que o Brasil esteja na grande decisão, em 15 de julho. Mas não acredito. Nossos jogadores são mimados, mascarados e têm horror da imprensa. O técnico não brinca nem conversa com ninguém. É realmente constrangedor.

Estarei apenas nos jogos do Brasil, mas não cobrirei os treinos. Desta vez, vou cobrir a Copa do Mundo em sua essência aqui em Moscou. E farei muita coisa de ambiente, sem me preocupar com os jogos em si. Tenho avisado aos torcedores para tomar cuidado por aqui. Os russos não são simpáticos, pois há muito resquício da época da Cortina de Ferro. É como se a KGB estivesse nos vigiando por todos os cantos. Os preços dos hotéis, um horror. Superfaturados em até 5.000%. Não peguem táxi, pois os motoristas, além de não falar inglês, cobram o preço que bem lhes convier. Uber é mais seguro.

Para nós, jornalistas, o governo russo copiou a Alemanha’2006, nos dando metrô e trem de graça. Arrisquei-me do estádio da abertura até a Praça Vermelha de metrô. Consegui uma informação com um rapaz que falava inglês, que me ensinou a direção para pegar a composição. Desci cinco estações e parei praticamente em cima da Praça Vermelha. E vou dizer uma coisa: as estações de metrô são maravilhosas. Todas em mármore, mostrando a imponência dos russos. Tudo aqui lembra os czares. Fiquei impressionado com a escada rolante que desci. Uns 200 metros para baixo, até chegar à plataforma do metrô. Sensacional. Estações bem vigiadas e policiadas, limpas, sem pichações. O problema é que no painel das estações é tudo escrito em russo. Já decorei onde desço e onde pego o metrô para o Estádio Luzhniki. Já é um avanço.

A Praça Vermelha está descaracterizada. Um palco gigante toma conta de parte dela, enquanto do outro lado, tampando o mausoléu de Lênin, há uma arquibancada. Ali, teremos shows e outras atrações. O movimento já começa a melhorar. Encontrei alguns brasileiros, colegas da imprensa e torcedores, como o garoto Gabriel, que torce pelo Palmeiras, e conseguiu, no sorteio, ingresso para o jogo de abertura. Rússia e Arábia Saudita não vão atrair ninguém, mas o evento de abertura vai lotar o Luzhniki. Fico me lembrando do ursinho Misha, que chorou na Olimpíada de 1980, aqui em Moscou. E olha que era na época do comunismo, regime fechado mesmo. Vi pela TV e nunca mais me esqueci daquela imagem, que rodou o mundo. Estou esperando algo dessa magnitude. Os russos são fantásticos em fazer coisas maravilhosas.

Enquanto isso, hoje o Brasil vai enfrentar a Áustria, em seu último teste antes da estreia diante da Suíça. É o time da Copa com Alisson, Danilo, Thiago Silva, Miranda e Marcelo, Casemiro, Paulinho e Philippe Coutinho, Willian, Neymar e Gabriel Jesus. Muitos acham esse time fortíssimo. Eu não acho. Vejo uma equipe equilibrada, mas que dependerá do talento e da genialidade de Neymar. Alguns o consideram pronto, maduro para ganhar a Copa. Eu acredito que não será desta vez. Talvez no Catar, em 2022, quando ele tiver amadurecido, dentro e fora de campo.

Por ora é isso, lembrando que as aves de mau agouro, que tentaram criar crise no Atlético, se deram mal. O time está na cabeça, brigando pela taça com Flamengo, Sport, Cruzeiro, Corinthians e São Paulo. O Atlético não está tão abaixo de nenhum deles, pois o nível do Brasileirão é ruim. Com uma ou duas peças e um ajuste melhor da equipe, esse Galo poderá lutar pela taça até o fim. Não duvidem da gestão de Sette Câmara. Austera, séria e transparente. Só não enxerga quem gosta de fazer onda no clube.

Fonte: Jaeci Carvalho /Estado de Minas

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