Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 15 de Outubro de 2019

Nacional

Após nova prisão, mãe de ciclista morta espera que genro condenado pelo crime cumpra pena até o último minuto

Honório Jacometto e Vanessa Martins
Foto: Divulgação / Assessoria httpariquemesonlinecombrimg371833gaposjpg.jpg

Há quase quatro anos sem a filha Cibelle de Paula Silveira, Franquelina Silveira ainda sente revolta por tê-la perdido, em Goiânia. Marido da vítima, o advogado Eduardo de Oliveira Francisco foi condenado como mandante do crime, respondia em regime aberto, mas voltou a ser preso após nova decisão.
“O que a gente espera hoje é que, no mínimo, ele seja mantido preso. E que cumpra até o último minuto da prisão”, desabafou Franquelina.

A defesa de Eduardo disse que entrou com recurso contra a prisão, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A bancária, que tinha 31 anos à época, foi morta com um tiro na cabeça enquanto pedalava com o então esposo.
O crime aconteceu em dezembro de 2015 e, à princípio, foi tratado como latrocínio. No entanto, após exames apontarem ferimentos antigos em Cibelle, Eduardo passou a ser investigado, foi indicado, acusado, preso e condenado.
Irmã de Cibelle, Léia Silveira disse que não sabia se a irmã era vítima de agressão e que, sempre que aparecia com algum machucado, dizia que era por ser desastrada.
“Se perguntássemos a ela sobre algum roxo na perna dela, ela [dizia]: ‘Eu sou muito destrambelhada, eu bato muito na academia, machuco demais’”, recordou.
Nova prisão

Segundo o delegado Fabrício Madruga Santos, a Delegacia de Capturas (Decap) foi informada da expedição desse novo mandado de prisão diretamente pelo Tribunal de Justiça.
Eduardo foi encontrado no apartamento dele, por volta de 10h30 de segunda-feira (7), no Setor Village Veneza.
Até a manhã desta terça-feira (8), ele seguia na triagem, segundo a Diretoria Geral de Administração Penitenciária (DGAP).
O crime

O crime ocorreu no dia 30 de novembro de 2015, na BR-060, em Goiânia. Na época, de acordo com a polícia, ela pedalava, acompanhada do marido e de um amigo, quando uma dupla se aproximou, sendo Pedro Henrique Domingos de Jesus Félix em uma motocicleta e um menor em uma bicicleta. Segundo as investigações, Pedro atirou, atingindo a cabeça da mulher.
Pedro Henrique Domingos de Jesus Félix, que chegou a confessar o crime na época, também foi condenado pelo homicídio. A soma da pena foi de 22 anos e 5 meses.
O inquérito policial foi concluído dez dias após o crime e remetido ao Ministério Público que, por sua vez, denunciou Pedro Henrique por latrocínio e o adolescente por ato infracional análogo ao latrocínio.
Reviravolta

O caso seguia tramitando no Judiciário quando, cerca de dois meses após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil recebeu o laudo cadavérico de Cibelle. De acordo com a polícia na época, foram encontradas lesões antigas no corpo da vítima que levantaram a suspeita de que ela era vítima de espancamento.
Na época, o delegado foi ouvir novamente Pedro Henrique, que mudou a versão inicial e contou que tinha sido contratado pelo marido da vítima para cometer o crime.
Na denúncia, o marido teria oferecido R$ 30 mil para que o jovem matasse a mulher. Deste valor, o marido só teria pago R$ 5 mil.

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