Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 21 de Agosto de 2019

Internacional

Alemanha: Duas sondagens dão o primeiro lugar aos Verdes

Expresso
Foto: Divulgação / Assessoria alemanhajpg.jpg


Os Verdes surgem à frente de duas sondagens na Alemanha, ultrapassando a União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Social Democrata (SPD) e se as eleições fossem hoje, teriam "todas as condições" para liderar o governo, sublinha o politólogo Oscar Gabriel.
O partido, liderado por Robert Habeck e Annalena Baerbock "tem crescido em popularidade e força" desde a formação da "grande coligação" que governa atualmente a Alemanha, constata o analista político e sociólogo.
Um crescimento que, de acordo com Oscar Gabriel, se pode justificar com a "fraqueza dos partidos democráticos alemães estabelecidos e com as boas condições económicas que a Alemanha atravessa na última década" que dão espaço a questões como as mudanças climáticas ou a integração de minorias.
De acordo com uma sondagem publicada na quinta-feira pelo instituto Infratest dimap, se as eleições legislativas ocorressem hoje, os "Grüne" conseguiriam 26% dos votos, à frente da CDU/CSU com 25% e do Partido Social Democrata (SPD) com 12%. Outra sondagem do instituto Forsa, divulgada no dia 1 de junho, também dá vantagem aos Verdes.
"Desde a sua derrota na eleição de 2013, os Verdes passaram a ter uma posição mais pragmática a meio do caminho. Os novos líderes são bem vistos pelos alemães. Eles parecem representar uma combinação quase perfeita de competência e simpatia. O partido não está envolvido em lutas internas ideológicas ou de poder, ao contrário da CDU/CSU e, principalmente, do SPD", sustenta o professor emérito da Universidade de Estugarda, em declarações à agência Lusa.
Uma imagem positiva que contrasta com a apresentada pelos partidos que formam governo, que "não estão dispostos a cooperar uns com os outros e são acusados, simultaneamente, de falta de boas ideias e de bons líderes", adianta Oscar Gabriel.
Os Verdes conseguiram um resultado histórico nas últimas eleições europeias, 20,5% dos votos, mais 9,8% que no escrutínio de 2014.
Passaram a ser a segunda força mais votada do país, e o partido de esquerda a conseguir um melhor resultado. Nas legislativas de 2017 não ultrapassou os 8,9%.
Oscar Gabriel acredita que a força dos Verdes é "real" e, caso este bom desempenho continue, o partido terá "todas as condições para se tornar o principal partido na Alemanha" e formar governo. Esse já é aliás o caso de um dos Estados mais importantes do país, o de Baden-Württemberg, assim como já acontece em várias cidades.
O politólogo e sociólogo alemão considera, ainda assim, que o governo tem sido "bem-sucedido" porque já executou "uma parte considerável das políticas acordadas na formação da coligação". Mas reconhece que, para a maioria dos eleitores, isso não é relevante.
"Os partidos da chamada 'GroKo' [Grande Coligação] não queriam continuar a cooperar no ano passado, isso só aconteceu porque as soluções alternativas fracassaram. Logo quando arrancou, a coligação já não era particularmente popular e a situação tem vindo a deteriorar-se desde então", explica.
No passado domingo, 2 de junho, Andrea Nahles anunciou a demissão da liderança do SPD e também da bancada parlamentar, depois de resultados muito negativos para o partido nas europeias.
Desde então, ainda não houve candidatos oficiais ao lugar, estando marcada, para dia 24 de junho, uma reunião interna.
"Além de Angela Merkel, cuja popularidade ainda é alta, os partidos da coligação também não têm líderes políticos populares. Na verdade, o vínculo mais forte entre estes três partidos é evitar novas eleições por medo a um desastre nos resultados", esclarece.
O professor emérito da Universidade de Estugarda acredita, ainda assim, que "o processo doloroso que se tem observado durante este último ano possa continuar até 2021", com a continuação da coligação que forma o executivo, ressalvo que "ninguém pode ter certeza disso".
Gabriel lamenta que a Alemanha já esteja perante o "pior cenário possível", com um governo que "perdeu o apoio da maioria, um partido de extrema-direita forte, representado em todos os parlamentos regionais, um chanceler que renunciou à posição de líder partidário, e não parece muito envolvido em políticas domésticas, e um SPD profundamente dividido".
Independentemente destas condições "desfavoráveis", frisa, "novas eleições são difíceis de acontecer por razões constitucionais, mas também estratégicas".
 

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