Campo Grande - Mato Grosso do Sul, 18 de Julho de 2019

Internacional

A Cathy queria viver: o relato de uma mãe que perdeu a filha, vítima de sarampo, apesar de vacinada

Expresso - Portugal
Foto: Divulgação / Assessoria aaaaaajpg.jpg

Quando Catherine Montantes entrou numa clínica de Port Angeles, em Washington, nos EUA, não sabia que uma hora antes tinha lá estado um homem de 52 anos infetado com sarampo. Apesar de estar vacinada, Catherine morreu menos de três meses depois porque o seu sistema imunitário estava fragilizado devido à medicação que tomava para controlar a dermatomiosite, uma doença autoimune.
A sua morte, em abril de 2015, tornou-se a primeira causada por sarampo nos EUA em mais de uma década. Catherine tinha 28 anos e estava a estudar para se tornar uma agente de patrulhamento de fronteiras. Em entrevista ao jornal “The Guardian”, publicada esta quarta-feira, a mãe, Ralphenia Knudson, explica como a doença, muitas vezes descrita como inofensiva pelos movimentos de antivacinação, tirou a vida à sua filha e arrasou a família.
“Não se pode brincar com a vida dos outros. Não há escolha... ‘OK, vamos deixar que isto siga o seu curso, vamos fazê-los fortes’... Não vais fazê-los fortes, vais expô-los a um vírus mortal que o corpo não vai ser capaz de combater – e foi isso que aconteceu”, diz. “Eu percebo a importância da vacinação. Eu vacinei todos os meus filhos”, acrescenta a antiga motorista de longo curso que vive em Juneau, no Alasca.
“SE ALGUÉM NÃO CUMPRE, DEVIA HAVER CONSEQUÊNCIAS PARA ISSO”
“A exposição ao sarampo é perigosa, especialmente para quem não tem um sistema imunitário devido a medicação. A lei determina que as crianças devem ser vacinadas, é o que a lei diz. Se alguém não cumpre, devia haver consequências para isso”, sugere a mãe de Catherine. “Quando chegámos ao hospital da Universidade de Washington e a colocaram na unidade de cuidados intensivos, não me disseram que ela estava a morrer. Foi só quando me avisaram que teria de dizer aos meus outros filhos que teriam de ir até lá se a quisessem ver...”, relata.
Desde a morte de Catherine, pelo menos 1655 pessoas tiveram sarampo numa série de surtos em Nova Iorque, Califórnia e Washington. 2019 já atingiu um recorde de 1077 casos registados de sarampo.
ANTIVACINAÇÃO ENTRE AS 10 MAIORES AMEAÇAS À SAÚDE, DIZ OMS
Este ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) colocou a antivacinação entre as dez maiores ameaças globais. Em abril, os casos detetados de sarampo já tinham subido 300%. A OMS atribui o aumento do vírus, em parte, a pessoas que recusam ou atrasam a vacinação, apesar da sua disponibilidade.
Embora as razões para o declínio das vacinas sejam várias, nos Estados Unidos a propagação de informação falsa nas redes sociais tem desempenhado um papel determinante num dos piores surtos de sarampo em quase uma década.
A morte de Catherine deixou a sua mãe à beira de um “colapso emocional”, tendo abandonado o emprego. “A Cathy adorava a vida, ela queria viver”, conclui.
HÉLDER GOMES
 

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