Audiência subsidia projeto de lei que determina avaliação em academias

Acadêmicos, profissionais em educação física, professores e autoridades debateram a Importância da Avaliação Física na Prática da Atividade Desportiva durante audiência pública realizada por proposição do deputado Amarildo Cruz (PT), na manhã desta segunda-feira (18/9). Segundo o parlamentar, o objetivo do evento foi reunir sugestões para o projeto de lei que apresentará na Casa de Leis determinando a realização de avaliação física antes da prática esportiva em academias e estabelecimentos similares em Mato Grosso do Sul.

“Verificamos que aumentou o número de academias e temos que garantir segurança aos que buscam uma prática esportiva, valorizando os educadores físicos e também protegendo os empreendedores, para que não haja nenhuma ocorrência fatal em seus estabelecimentos”, explicou o deputado.

Ele reiterou que o projeto de lei será referência nacional, também incentivando o combate ao sedentarismo, considerando que somente 37% dos brasileiros se exercitam regularmente, de acordo com dados do Ministério da Saúde. “Debatemos esse assunto desde 2015, quando aprovamos na Casa de Leis uma proposta exigindo a realização de exame médico nas academias. O projeto foi vetado pelo Governo e agora apresentaremos um novo texto, que incluirá vários dos argumentos apresentados durante a audiência”, informou o deputado Amarildo Cruz.

Membro do Conselho Regional de Educação Física da 11º Região (Cref 11/MS), Bruno Elias Ferreira lembrou que os oito mil profissionais inscritos na entidade no Estado estão aptos a realizar anamnese nas mais de 600 academias registradas junto ao Conselho. “É primordial uma avaliação inicial antes de fazer esportes, para que sejam definidos intensidade, tempo e quais os exercícios mais adequados a cada caso e, nesse sentido, os educadores físicos estão aptos, até porque são os responsáveis técnicos das academias”, explicou. “Hoje, esse procedimento é uma exigência até mesmo ética da nossa profissão, regulada por notas públicas e outros dispositivos, e com certeza a lei será um instrumento a mais nesse contexto”, complementou.

Para o diretor-presidente da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), Marcelo Ferreira Miranda, há necessidade de avaliar possíveis riscos à saúde de quem está prestes a iniciar uma prática esportiva regular. “O atestado médico para todos seria inviável, mas é preciso uma extratificação de risco, um protocolo mínimo para que o profissional siga e garanta mais segurança às pessoas. Assim, teremos uma entrevista detalhada, a definição de possíveis riscos e as classificação dos alunos”, analisou. Segundo Miranda, que também é profissional e empreendedor da área, a partir desse primeiro contato o profissional em educação física poderá definir quem necessita, de fato, fazer um check up antes de iniciar o programa de exercícios.

Representando o Conselho Regional de Medicina (CRM-MS), o cardiologista Celso Codorniz lembrou que há variantes entre os que querem frequentar as academias. “Uma coisa é um jovem, outra é uma pessoa com 69 anos, por exemplo. É preciso analisar se há ocorrência de desmaio, falta de ar, se tem histórico familiar, entre outras coisas”, ponderou. O também cardiologista Luiz Ovando, especialista em Medicina Esportiva, lembrou que os exames são necessários aos que fazem parte dos grupos de risco, como hipertensos, diabéticos e obesos, bem como àqueles que estão iniciando alguma prática esportiva a partir dos 35 anos.

Para o diretor-presidente da Associação dos Proprietários das Academias e afins (studios, associações e clubes esportitivos)/AAMS, Renato Furlaneto, é imprescindível conversar previamente com os clientes. “Como promover a saúde se eu não avaliar as pessoas? Como vou prescrever um programa de exercícios se não foi feita uma anamnese mínima? Tenho sim que investir meia hora, uma hora, em uma entrevista. Isso não onera as academias”, afirmou.

Vice-presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Casa de Leis, o deputado Herculano Borges (SD), que também é profissional da área, alertou para a importância de conscientizar todos que querem fazer alguma atividade física. “A responsabilidade técnica é do profissional, que terá um modelo de avaliação, mas o aluno também deve assumir sua responsabilidade, assinando um termo e providenciando o atestado médico caso seja solicitado”, disse.

Por: Fabiana Silvestre   Foto: Victor Chileno 

Tereré News

Editor - Tereré News

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